quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dia de Alimentação e Manejo...

Nessa época do ano não tem jeito, devido a seca, ao fato de manter muitas abelhas no mesmo lugar e principalmente por estarmos em área urbana, tenho que alimentar as abelhas.
Nessas últimas duas semanas tenho iniciado a alimentação artificial, como já de meu costume alimento minhas pequenas através do alimentador coletivo, maneira mais simples que essa eu não conheço.
O alimentador consiste numa tampa de isopor grande, com um tela por cima para evitar que as abelhas toquem no xarope, é pregada com palitos de dente, muito simples, barato e fácil de fazer não??? Ao lado eu uso colocar alguns tigelas de plástico com cera de apis mistura com a cera de Jandaíra, elas coletam tudo que é uma beleza.

Tem gente que usa o alimentador com raias, eu não gosto por que mesmo assim as abelhas tem acesso ao alimento e acabam se lambuzando muito, da maneira que faço a única coisa que toca o alimento é a língua da abelha, assim elas não perdem tempo se limpando antes de voar, fora que ninguém corre o risco de morrer afogado.

A receita é a de sempre, 10 litros de água + 10 kg de açúcar + suco de 5 limões + uma boa pitada de sal + 25 gramas de Aminomix Pet (suplemento vítamínico) + algumas folhas de capim santo ou erva cidreira. Ferve-se a água e mistura-se o açúcar, o sal e as folhas de capim santo, depois de frio misturo o restante dos ingredientes.

Elas adoram, a média de consumo das minhas caixas tem sido em torno de 4 a 5 litros de xarope dia, isso pode parecer muito mas temos que levar em consideração que tenho atualmente aqui em casa mais de 200 caixas só de Jandaíra e mais algumas de outras espécies. Devido a seca quase todas as abelhas que estavam no sítio em Taboleiro Grande-RN estão aqui, só voltam para lá com o início das chuvas.

Elas tomam xarope e eu fico aí, olhando-as trabalhar tomando meu café, antigamente, devido a esse calorão que anda fazendo por aqui eu tomava uma cervejinha bem gelada, mas devido a recomendações médicas eu tenho evitado pois meus rins não vão muito bem... Mas é prazeroso do mesmo jeito sentar naquele canto e apreciar as minhas meninas durante o banquete. Por isso que é bom lidar com as abelhas sem ferrão, não há riscos de acidentes, quem teria coragem de fazer isso se fosse africanizada???
Junto com o alimentador eu disponibilizo bastante cera misturada, é cera de Jandaíra misturada com cera de apis, pego 1 kg de cera de jandaira e misturo com 1 kg de apis, antes derretia em banho maria, dava um trabalho desgraçado, fora que sujava tudo e a coroa me dava uma broca danada.

Hoje tenho feito de maneira muito simples, corto pedaço das duas ceras e deixo no sol pra derreter, rapaz o sol do meio dia faz isso com a maior facilidade, o restante do trabalho eu deixo pra elas virem coletar.

A aceitação tem sido muito boa, Jandaíra não coleta a cera de apis pura, mas basta juntar alguns pedaço de cera dela que ela vem com força buscar, me parece que é preciso estimular, elas precisam do cheiro da cera de jandaíra pra se sentirem à vontade com a da apis.


Elas tem passado o dia inteiro coletando essa cera, durante as minhas inspeções tenho observado vários potes de cor clara, certamente feito com a cera de apis. É sempre muito importante fazer isso pois as abelhas precisam estar bem fortes para o início do inverno, somente assim irão produzir mel de qualidade e em grande quantidade.
Enquanto elas se alimentavam eu andei abrindo algumas caixas que tenho por aqui, a minha intenção era acompanhar o desenvolvimento de alguns enxames que foram criados recentemente, fiquei muito feliz ao abrir essa caixa pois a postura, mesmo nessa época vai muito bem, sinal que essa rainha tem boa genética e será por mim separada para futuras divisões.

Mas uma coisa que me chamou a atenção foi a forma da postura, as abelhas simplesmente estão fazendo discos quase em pé, a inclinação dos discos está muito grande, totalmente tortos. Eu nem sei porque me espanto com isso pois a Jandaíra não tem padrão de postura, faz de todo jeito, de todo tamanho e formato, não é de se estranhar se eu algum dias descobrir favos em vez de discos...


Dei uma olhada para cima e vi os vagabundos de sempre, esse pessoal aí não gosta de trabalhar mesmo, todo mundo se fartando no xarope e os machos simplesmente ficam aí, nos beiras to telhado da casa só de bobeira, passam horas observando o entre e sai, de vez enquando vejo alguém querendo entrar nos cortiços mas são logo expulsos, bem feito! Quem manda não querer trabalhar!!!!

Ainda estou com alguns troncos em casa com abelhas, estou sem tempo de passar essas abelhas para uma caixa racional, quando olho os troncos me lembro do trabalho que vai dá pra passar, principalmente porque na maioria das vezes trabalho sempre sozinho.

Vocês pensam que é só as Jandaíras e Uruçus que vão alimentador, a minha agressiva Cupira também vai, eu sou facinado por essa espécie, elas são pequenas e bem pretinhas, usam muito barro no seu ninho e são extremamente populosas, muitas ficam na entrada em posição de guarda, sempre com uma cera pegajosa nas patas para lambuzarem os curiosos, vivo com os cabelos cheios de cera devido as essas meninas.
Estou com essa caixa a mais de 6 meses e nunca tive a coragem de abrir, só porque sei da surra que vou levar, prefiro deixa-las aí em paz, são extremamente rústicas, não precisa de meus "agrados".


Essa é uma da prateleiras de caixas de Jandaíras, como essa tem mais algumas dezenas no sítio, por enquanto trouxe várias para casa pois no ano passado eu perdi mais de 30 caixa pra seca, deixei as abelhas lá e não resistiram a falta de florada, esse ano não vou vaciliar, estou trazendo todo mundo para o meliponário urbano. De fome esse ano ninguém morre.


Mais uma prateleira, nessa tem todo tipo de abelha, tem abelha aí que eu nem sei o nome...Mentira, eu sei o nome de todas, rsrsrs.

Aqui em casa é assim, tem abelha em todo canto, só tá faltando eu colocar no banheiro...Bem que não é má idéia!!!!!...

Tem muita caixa antiga e ainda muita abelha no toco pra pra passar...

Tem cortiço de todo tamanho, forma e jeito... Já testei de tudo mas a Jandaíra não tem jeito, faz postura do jeito dela, não do meu....

Alguns cortiços estão precisando de trocar de caixa, em muitas a madeira já deu o que tinha que dá... Bem, não vou mostrar pra todo mundo ficar curioso e querer vim aqui conhecer, nosso meliponário é humilde mas sempre está de portas abertas a todos.
Att,
Mossoró-RN, em 11 de novembro de 2010.
Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O velho e o menino, a primeira chuva...

Ainda é muito cedo quando o velho, com os olhos ainda remelados, levanta da rede põe a cabeça pra fora da janela e começa a espiar o tempo.

Ainda durante a madrugada tinha acordado com o barulho dos trovões e a luz forte dos relâmpagos que ao longe despertavam no velho aquele sentimento de renovação.
Mal se põe de pé e de maneira devagar se dirige ao velho fogão à lenha para preparar o seu forte café.

O menino, ouvindo o rastejado do velho, acorda e se dirige ao quintal. Chega na beira do mato, arreia o calção e urina, em seguida se encaminha em direção à pilha de lenha no fundo da cozinha para coletar alguns gravetos e acender o fogo.

No caminho ele olha pra cima e sente o forte cheiro do mormaço da chuva, que ainda longe, faz escurecer o nascente. Mal dá tempo de olhar e uma gota cai no meio da testa. Ele rapidamente olha os cortiços das jandaíras e percebe o alvoroço das abelhas.
Por um instante ele se encosta na pilastra do alpendre da casa e fica a observar o intenso trabalho das fortes e valentes Jandaíras, cada uma chega mais carregada que a outra.

O vigia a postos na entrada do cortiço não tem descanso, mal se posiciona em guarda e já chega outra abelhinha pedindo licença pra passar. Quando o sol dá uma trégua no sertão as plantas da caatinga retardam o fechamento das flores, fazendo as abelhas trabalharem até altas horas da manhã.
Com um sorriso no rosto o menino entra na cozinha acende o fogo e fala ao avô:
-Vô, já viu o nascente? Vai chuver!
O velho mal espera o menino terminar a pergunta e já responde:
_Já vi meu filho! Tem duas torres de chuva no leste e mais uma montando o nascente. Por isso não se demore. Corra! Tome café e vá logo soltar os bichos, na volta passe na cisterna d'água e prepare as biqueiras.
-Sim senhor!
O velho se levanta e caminha até o alpendre, senta e fica a observar o menino tangendo o gado em direção a baixa grande, nesse instante o vento engrossa e começa a trazer as primeiras gotas de chuva, o mormaço que antes era fraco e quente, agora é forte e refrescante.

O perfume do mato molhado se mistura com o cheiro gostoso da xicará do café na sua mão, a mistura faz despertar no velho as boas lembranças da fartura do inverno; mato verde, açude cheio, rio correndo, peixe a vontade, feijão e milho verde, mel de jandaíra...

Preocupado, o velho se levanta e vai verificar as amarrações dos cortiços de Jandaíras. As abelhinhas, prevendo o início da chuva se recolhem em suas casinhas, simples cortiços de imburana, talhados à mão.
Nessas horas as últimas que chegam carregadas são rapidamente abrigadas e o vigia, já prevendo o aguaceiro, tampa a entrada do cortiço pra evitar a entrada de água. Mal dá tempo para o menino retornar e a chuva começa, as primeiras gotas que eram fracas agora se transformam em chuva torrencial, a correria é grande, as galinhas se abrigam atrepadas no pé de cajarana e o burro se deita no chão coberto pelo pé de Juazeiro.
De repente o forte brilho no céu faz desencadear um forte estrondo na terra, a impressão que se tem é que são Pedro abriu as torneiras do céu e vem lavar a seca do sertão.

O menino, não se contendo de alegria sorri e fala:
-Eita Vô, essa chuva vai ser forte.

O velho, com seu jeito manso e devagar, agora se preocupa e responde:
-Menino! Corra ali e feche a porta do oitão, vá lá no armazém e tire a carne de sol do varal, se não vai molhar todinha!
Tó indo vô. To indo.
Nesse instante cai um mundo d'água, enquanto isso o velho sentado estica os pés na beira do alpendre e fica a sentir a chuva molhar a barra de sua calça. O menino chega e pede ao velho para ir tomar banho de chuva, sem retrucar o velho permite, recomendando apenas o uso das alpergatas nos pés.
O menino tira a camisa e só de calção surrado fica a se molhar no aguaceiro que parece não ter hora pra acabar. Nessa hora o velho vê o menino se banhando e fica a relembrar o passado.

Lembra-se da sua infância, tempos difíceis mas saudosos. Caçula de oito irmãos, filho de agricultores sertanejos, nunca tivera a oportunidade de estudar, pois a lida diária no campo bate muito cedo na porta de uma criança carente do sertão.
Mesmo assim, não tem remorsos. Pelo contrário, se orgulha e muito de sua educação rígida e disciplinada. O amor pela família sempre foi o laço forte numa terra onde o povo esquecido nunca guarda muitas esperanças.

Lembra-se que certa vez apanhou sem nem saber o motivo, simplesmente por que naquele tempo quando um fazia coisa errada, todos apanhavam pra ninguém sair mangando do outro, agora ria do passado mas à época aquilo lhe parecia meio injusto.

A chuva com o tempo vai se enfraquecendo, o menino já cansado de tanto se banhar se abriga com os lábios roxos e os dedos enrrugados. Ainda molhado corre em direção a cisterna e retira a biqueira, tampa e volta ao alpendre.

O velho, com seu jeito acolhedor, busca uma toalha e encobre o menino para socorrê-lo do frio, nesse instante os dois voltam a sentar no beiral do alpendre e passam a contemplar o belo arco-íris que se forna no poente.
-Vô, como nosso sertão é bonito! Mesmo diante de tanto aperreio eu gosto tanto desse lugar, desse cheiro de mato molhado, desse barulho do vento, do canto do bem-te-vi, da zoada do grilo a noite...

O velho olha o menino e sorri respondendo serenamente:
-Eu também meu filho, eu também...

O tempo parece parar nesse momento, o menino já não teme as dificuldades da lida no sertão, pois sente que o inverno está próximo e que as boas novas de São Pedro logo chegaram pra ficar por alguns meses, trazendo fartura e beleza ao sertão, sente que mais uma vez provará o mel Jandaíra que tanto gosta.

A chuva aos poucos vai passando e o sol vem novamente mostrando a sua força. O velho se recolhe com o menino e vão em direção a cozinha preparar o almoço do dia.
Continua....
Mossoró-RN, em 08 de novembro de 2010.
Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vídeo Curso de Meliponicultura

Prezados amigos, estou postando aqui no nosso site uma série de links para que os nossos seguidores possam baixar um vídeo curso muito bom que se encontra disponível para download.
Nesse video curso você vai encontrar muita informação sobre a Biologia das abelhas sem ferão e algumas tecnicas de criação. É um excelente video curso coordenado pelo Prof Huertas (UFV).
O video curso e composto por 16 partes devendo baixar todas e descopaquitar, tamanho total é 700mb, em formato avi, a qualidade é boa.
Os links estão colocados abaixo do nosso arquivo, é só ir lá clicar e baixar.
att,
Mossoró-RN, em 03 de novembro de 2010.
Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

É puro mesmo???

O telefone toca e a pessoa do outro lado da linha me pergunta:
-É do Meliponário do Sertão?
-Sim, é sim, é o Kalhil que está falando.
-Você tem mel de Jandaíra pra vender?
-Sim, temos sim, por sinal um dos melhores méis de abelhas sem ferrão do Brasil.
-Mas é puro mesmo???...

Rapaz, pense numa coisa que me deixa com raiva é o camarada me perguntar se o nosso mel é puro!!! A vontade que tenho é de dizer:

Não, é puro não, é misturado com merda de vaca, pelagem de macaco, cuspi de cabra, unha de bode, catarro de cobra e de quebra, com pitada de urina de tatu.

Ora, quem faz essa pergunta parte do pressuposto que sou desonesto.

Mas juro que a chateação é momentânea, pois sei que tem muita gente que vende gato por lebre, é muito comum eu encontrar gente vendendo mel “puro” de Jandaíra a R$ 10, 15, 20 o litro.

Nessa época do ano eu conto nos dedos os meliponicultores que tem algum mel estocado, mesmo os grandes estão com seus estoques no limite. Não há mel pra se vender, nem muito menos para se produzir em plena estiagem, quem é inteligente nessa época está é alimentando suas abelhas para não perdê-las de fome na seca.

Então quando vejo mel de jandaíra sendo vendido nessa época do ano eu fico logo, como diz o matuto por aqui, “escabriado”, o sinalzinho de alerta liga praticamente na hora. Se o preço for baixo aí é que não compro mesmo...bem, mas eu sou suspeito pra falar...

Mas tem gente que vê vantagem em comprar esses produtos de origem duvidosa, pois bem, tem gente pra tudo nesse mundo.

Em toda a minha vida eu sempre fui educado pelos meus Pais a ser sempre muito correto com as pessoas, a nunca passar por cima de ninguém ou mesmo utilizar de recursos obscuros para tirar proveito dos outros.

Mesmo muito chateado com a pergunta infeliz do interlocutor, respondo da seguinte maneira antes de contar até três:

-Meu prezado, nosso mel é puro sim, produzido no interior do Estado do Rio Grande do Norte, em uma região muito bonita e ainda muito bem preservada, onde, no período de chuvas, floresce uma mata verde oliva produtora de néctar claro e saboroso, lugar pequeno e muito humilde, mas rico em vida e alegria, onde as minhas jandaíras guardam o segredo do verdadeiro sabor do sertão. Apenas para complementar, o nosso mel ficou em Primeiro lugar no ano de 2009 no Concurso Nacional de Mel de abelhas sem Ferrão realizado pela Associação de Meliponicultores do Estado do Rio de Janeiro, certeza de sabor, PUREZA e qualidade.

Uma pergunta muito comum que me fazem é como saber se o mel é puro de verdade, eu só conheço três maneiras, a primeira é você comprar mel somente de meliponicultores conhecidos, pessoas de índole e que já são conhecidas pela qualidade de seus produtos.

A outra é você observar a coleta e envaze sendo feitos diretamente pelo produtor, assim você vai saber que realmente o que está comprando foi aquilo que realmente foi colhido.

Por fim, antes de comprar, mande uma amostra para o laboratório e peça uma análise físico-química do mel, mesmo assim pode ser que essa análise não seja conclusiva por que algumas substâncias acabam camuflando o resultado.

Então meus prezados, eu prefiro a primeira opção, afinal de contas ainda existe gente honesta nesse mundo.

Att,

Mossoró-RN, em 03 de novembro de 2010.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O velho e o menino


...Meio-dia no Sertão, o menino olha o sol brilhando com toda a sua força no céu, a cabeça pega fogo, como se fosse derreter de tanto calor, o suor escorre pelo canto da testa no mesmo instante que passa a olhar a rispidez dos espinhos do Mandacaru.

Por um instante pára e pensa, por que não vamos embora desse lugar, tanto sofrimento, tanta dependência das boas novas de São Pedro.

Cansado e descalço, caminha olhando o chão seco e rachado pelo sol, a terra ferida e seca, parece clamar por míseras gotas de água, mais uma vez ele pára e pensa...

Nessa época, quando até Deus parece abandonar o Sertão, os únicos que se fartam são os urubus, que se deliciam com as carcaças dos mais variados bichos mortos pela fome e pela sede espalhados pelo caminho.

Na espera de um milagre, ele abre os cortiços e não vê mel, as Jandaíras, mesmo valentes, mais do que nunca sofrem com a seca, não tiveram tempo de produzir o suficiente para uma boa produção, a postura baixa é sinal de tempos difíceis.

O cinza toma de conta do horizonte, a mata sem folhas torna-se feia e perigosa, as últimas reservas são gastas na tentativa de sobrevivência de mais alguns meses de seca e sofrimento.

Mais uma vez o menino pára e pensa, qual o porquê de tanta seca...

Mesmo assim, nesse cenário de sofrimento e desilusão, ele se pergunta por que tantos não abandonam essa terra, árida e esquecida, persistindo em ficar, mesmo sabendo que daqui não terão bons frutos e boas novas.

A tarde vem caindo e o sol se pondo no horizonte, as últimas Jandaíras vem chegando para o seu repouso noturno, o menino olha ao lado e vê o velho respirando o orvalho que vem chegando na leve brisa do fim do dia.

O menino não entende como o velho pode ser tão sereno e calmo, diante de tanta miséria e desilusão.

O velho, no clarão de sua longevidade se atenta ao traquejo do menino, de cabeça baixa e com olhar tristonho, pergunta: o que tens meu filho?

Nada vô, só não sei por que passamos todos os anos por tudo isso, essa seca maldita que só nos traz miséria e fome, tristeza e aperreio.

O velho, ao percinte o desânimo do menino se aproxima e o convida a olhar o horizonte, o jeito sereno do velho parece acalmar agonia do menino. Olhando os seus olhos, o menino, já mais seguro e tranguilo, escuta o seu velho responder:

Filho, a seca é só uma passagem, como tudo na vida ela vai passar, Deus nunca esqueceu de nós e ao seu tempo nos mandará as primeiras gotas de chuva.

A mata, agora seca e áspera, voltará a brilhar em vida, cheia de frutos e flores, o chão ficará novamente fértil, nos dando novamente a oportunidade de plantarmos nosso milho e feijão.

A asa branca e o bem-te-vi logo voltarão a cantar, alegrando o seu Sertão, agora tão triste e solitário, logo os córregos se encherão de água e os peixes procriarão, nos dando muitos outros peixes.
A cada palavra dita o menino percebe florescer no rosto do velho um sorriso contagiante.

Não demorará e as Jandaíras, sábias e dedicadas, logo iniciarão a coleta, nas mais variadas flores da caatinga, nos dando o doce mel que só nós conhecemos.

O menino, agora já mais calmo e destemido, não compreende muito bem as palavras do seu velho, mas sente que elas são verdadeiras, ele percebe que o velho guarda consigo um sentimento de esperança e apego àquela terra que, mesmo diante de tanta adversidade, nunca abandonará.

Somente muitos anos depois, já adulto e com a mente madura pelo decorrer do tempo, o menino, agora homem, compreende muito bem aquelas palavras que um dia lhe foram ditas numa tristonha tarde de verão.

O velho queria lhe dizer que o que faz sertanejo se manter, mesmo diante de tanta precariedade, de persistir naquele pedaço de chão adverso era o seu eterno sentimento de identidade, o sertão não é só a sua casa, mas é acima de tudo a sua própria existência, não há caboclo sem sertão, como não há sertão sem o sertanejo.

Talvez seja por isso que a Jandaíra, na natureza, só é encontrada na caatinga. Certamente, elas, as fortes valentes do sertão, amam, assim como aquele velho, esse pedaço de chão tão sofrido e antagônico...

att,
Mossoró-RN, em 19 de outubro de 2010.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Férias forçadas...

Se eu soubesse que minha ausência durante tanto tempo desse blog iria lotar minha caixa de e-mail, juro que não tinha tirado essas férias forçadas...rsssss

Gente, primeiramente quero me desculpar pela loooooonga ausência do blog, é que estou passando por alguns problemas pessoais, entre esses alguns de saúde que tiraram, praticamente, boa parte do meu ânimo, tempo para trabalhar e falar de nossas amadas abelhas, mas prometo que no decorrer dos próximos dias irei retomar o rítmo de antes e nosso blog continuará sendo um dos mais visitados do Brasil.

Para não alongar muito os dramas sociais e a infeliz maré de azar, vamos mudar de assunto e falar de coisas boas, estou atualmente em Brasília-DF, aqui passarei de quinta (14/10) a domingo (17/10) para visitar minha amada filha que mora por aqui.

A gordinha acima tocando bateria está fazendo 6 anos e é a razão da minha vida, só ela faz despertar aquele sentimento que só quem tem filhos senti, algo maravilhoso que não tem palavras, a palavra PAI!
Mesmo aqui, a milhares de km da minha terrinha quente e seca não paro de pensar e ser lembrado pelas abelhas, o acaso resolveu atacar o meu dia de hoje...

Estava brincando com a Maria quando recebi uma mensagem do cel de um senhor informando que tinha entrado no blog do Meliponário do Sertão e que tinha interesse em trocar informações sobre abelhas sem ferrão, pra sorte dele e da minha estamos exatamente na mesma cidade na data de hoje.
Retornei a ligação e me prontifiquei a conhecê-lo, bem como algumas abelhas que segundo ele tinham se alojado numa antiga caixa de Mandaçaia quadrifaciata que tinham sido adquiridas em Goiás.

Em Poucas horas conheci o amigo abaixo, trata-se do Claudius, Engenheiro químico e prof. aposentado da UNB (Universidade de Brasília), fomos até a sua linda casa que fica no lago norte, cercada de muita roseiras e fruteiras, entre essas o Claudius me apresentou esse maravilhoso pé de jabuticaba em plena floração, na hora fiquei me perguntando a quantidade de abelhas sem ferrão que deveriam aparecer por alí.
Não demorou muito e fomos ao encontro da tão misteriosa abelha que tinha se alojado na caixa da Mandaçaia, logo que avistei já sabia quem era, eram as lindas e defensivas borás (tetragona clavipes).
A grande concentração de machos sobre a caixa me chamou logo a atenção, certamente elas encontraram a caixa vazia da mandaçaia e estão enxameando alí dentro, não se trata de uma invasão, mas sim de nova morada pois o Claudius me disse que a caixa da mandaçaia tinha levado uma queda, certamente mantando a rainha e conseguentemente a colônia.
Conversamos bastante sobre as abelhas, bem como sobre os mais variados assuntos. Não demorou muito e o amigo quis me mostrar outro enxame que tinha sido descoberto em sua chacará, pensava ele que eram as mesmas abelhas, mas logo que avistei vi que se tratava de outra espécie, não tive dúvidas, eram as fomosas Boca de Sapo (partamona helleri).
Eu pessoalmente fiquei muito surpreso com o tamanho do ninho, muito grande, certamente aquela família estava alí há muitas gerações. Essas abelhas são bastante defensivas, mal nos aproximamos e as meninas já estavam enrrolando no cabelo.
Voltamos a conversar e o amigo me mostra uma raridade, um livro do Prof. Paulo Nogueira Neto, Vida e Criação de Abelhas sem Ferrão, edição de 1944, rapaz!!!! quase não acreditei quando vi o ano, pena não ter tirado uma foto daquela raridade.
Não demora muito e lá vem ele para me presentear com uma garrafa muito antiga de hidromel produzida na alemanhã, essa garrafa vai para coleção de raridade sem dúvidas...
Devido ao avançado da hora tive que ir embora, mas a vontade foi de ter ficado mais tempo para alongarmos a agradável conversa, não é todo dia que se encontra uma figura tão iluminada assim. Me despedi na certeza de em outra oportunidade poder retribuir os presentes, tenho certeza que em breve voltarei a rever o amigo Claudius, pessoa ímpar extremamente agradável.

Aos amigos e meliponicultores de Brasília, estarei por aqui até o Domingo, caso mais alguém queira me dá o prazer de uma boa conversar sobre as nossas abelhas sem ferrão é só nos contatar no e-mail (kalhil_p@yahoo.com.br) ou mesmo no tel 84 9150 2506.

Háaa, e não se preocupem, o blog não vai parar, rsssssss....

att,
Brasília-DF, em 14 de outubro de 2010.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

sábado, 28 de agosto de 2010

Os Boêmios Voltaram


Não demora muito e eles aparecem as dezenas... as vezes até as centenas...
São os machos, como tenho uma grande concentração de caixas aqui, acabam sempre fazendo esses montinhos nos beirais da minha casa ou mesmo nas prateleiras de apoio das caixas. Passam horas aí, parados sem fazer nada, são realmente um bando de boêmios, não trabalham, no máximo fazem algum esforço para a sua própria subsistência, mas fazer o que? Mesmo sendo assim, improdutivos, tem o seu papel fundamental na natureza, sem eles não há a continuação da espécie.

Passam o dia perambulando de caixa em caixa, ou mesmo de tronco em tronco, sempre atrás de algumas gotinhas de mel ou mesmo, se aportunidade surgir, fazer alguma moça virgem feliz...

Na verdade, nessa época de seca eles são sempre mal vistos pelas operárias, elas os expulsam das colônias pois, como nós sabemos, não realizam nenhuma atividade laborativa, sendo mais um peso morto para as abelhas carregarem. E isso nessa época é complicado porque mesmo eu fazendo a alimentação artificial as abelhas instintivamente percebem a baixa florada passam a rejeitá-los.

Como já dizia o Monsenhor Huberto, é a lei da natureza, nunca mais família do que pão!!! A regra da providência e previdência. Sempre tudo de acordo com a vontade da natureza. Quem vê essa vigilante a posto na entrada de sua casa nem imagina que, mesmo distante, ela está só espiando aqueles rapazes lá embaixo e pensando assim:

-Se eles vinherem aqui atrás de comida eu meto a "mãozada" na cada deles, se brincar sou capaz de sentar o beliscão no pé "duvido" até cair a última catota de cera...(o bichinha braba da "mulestia"!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

att,

Mossoró-RN, em 28 de agosto de 2010
Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Surpreendente!!!!


Quando eu penso que já vi tudo me aparece mais um e mostra algo surpreendente, vejam a foto acima, é só uma foto de uma rainha de Uruçu até já com certa idade, eu sei disso pela cor meio já escura que a mesma apresenta, mas há um grande detalhe que nos chama atenção.

Vejam que no início do seu abdomem se pode ver uma série de ovos prontos para serem ovopositados, eu sempre pensei que os ovos ficassem lá pelo fundinho dela, nunca por essa região.

Que coisa em!!!! A foto foi tirada pelo colega da lista ABENA Márcio Pires, que também é meliponicultor lá na Bahia.

att,

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Coleta de Mel - Comunidade Riacho do Meio

Essa semana recebi as fotos da primeira colheita de mel realizada pelas minhas "meninas" no primeiro meliponário instalado na comunidade do Riacho do Meio, Município de Choró-CE.


Infelizmente durante essa coleta eu não estava presente, mas todo o processo foi acompanhado pelos técnicos da Esplar (www.esplar.com.br), que também foram capacitados, em especial o Jorgiano que é filho da terra e tem forte ligação com aquela comunidade.


A coleta não foi muito grande, até porque eram apenas 10 caixas e as medidas não foram pensadas incialmente para a produção de mel, mas sim para a produção de novas colônias.


Mesmo assim foi produtiva, na verdade essa primeira coleta serviu muito mais como experiência de manejo do que para produção em si. O importante é que tudo foi feito como ensinado seguindo as técnicas corretas de manipulação e boas práticas de higiene, isso sim é importante. Tenho certeza que com o avanço dos trabalhos ainda teremos muito mel vindo dessa região.


É muito gratificante ver todo esse trabalho se desenvolvendo, principalmente pelo fato de sabermos o quanto foi complicado e difícil a concretização desse projeto, que ainda é piloto.


A criação da abelha Jandaíra por muitos anos foi se perdendo no tempo naquela região, mas hoje, graças a força de vontate de muita gente, vem novamente se tornando uma bela realidade.


Mesmo distante me sinto muito realizado em saber que as colônias estão sendo tratadas com o mesmo carinho e atenção que um dia foram tratadas aqui por nós no Meliponário do Sertão.


Em breve deverei visitar as comunidades para prestar uma visita técnica, levarei algumas caixas devendo realizar algumas divisões pois a grande maioria das colônias estão fortes. O nosso objetivo agora é multiplicar, multiplicar e multiplicar. Enfim, gerar novas colônias para produção de novos sonhos...

att,

Mossoró-RN, em 23 de agosto de 2010.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Elas também bebem água


No decorrer da vida a gente vai aprendendo algumas coisas, com as abelhas não é diferente. Eu sempre me perguntei por que a Jandaíra não coleta água como as abelhas do gênero Apis, como essas abelhas passam toda a seca sem necessitar coletar uma gota se quer de água???

A resposta é simples, elas coletam a água diretamente do mel!!! Durante o processo de maturação as abelhas vão desidratando o néctar, esse processo gera um pouco de água devido a redução na umidade do néctar, água essa que é aproveitada pelas abelhas para o controle térmico ou mesmo para o consumo em outras atividades.

Todavia, nem todas as abelhas são como as Jandaíras, essas abelhas evoluiram com a caatinga ao ponto de não necessitarem de coletar água diretamente da natureza, elas aprenderam a fabricar a sua própria água.

Muita gente me dizia que eu não iria conseguir criar as belas Uruçus, principalmente por que essa abelha é típica de mata atlântica, lugar bastante úmido, chuvoso e de temperatura amena. Já a caatinga é o contrário, seco, raramente chove e de temperatura muito alta.

Mas aí é que entra a observação, a curiosidade e a persistência. Logo após iniciar a criação das Uruçus por aqui passei a perceber a grande necessidade que essa abelha tem por água.


É muito comum aqui em casa observarmos as Uruçus coletando água diretamente das roupas molhadas no varal da casa, do chão ou mesmo diretamente na pia. Durante todo dia elas vão até a lavanderia coletar um pouco de água para levarem para as suas moradas.

Daí aprendi de cara que se eu quisesse criar com sucesso essas abelhas por aqui teria que além de fornecer bastante xarope, teria também que fornecer água.

Dessa maneira, quinzenalmente, eu forneço água dentro das colônias no bebedouro das abelhas. É fácil e simples, além de ser barato ao extremo por mais barato que água só banana.



Fazendo isso tenho mantido com muito sucesso as minhas belas Uruçus, mesmo não sendo daqui elas vem fazendo grande sucesso pois, que as Jandaíras não me escutem, são muito bonitas.

Todos esses cuidados vem nos proporcinando um grande sucesso na criação da Uruçu na caatinga, tenho certeza que num futuro bem próximo eu terei muitas mais por aqui...

att,

Mossoró-RN, em 22 de julho de 2010.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Prosa poética

"Fim do inverno no Sertão"

Mês de julho no Sertão, o inverno está no fim.
Todo mato está em flor e eu me sinto um jardim.
Quero sair como as Jandaíras rumo as flores da caatinga.
Não de cavalo nem jumento, mas à pé pela mata a dentro.

Há de ver belezas tais, que não dá pra descrever.
Tem flores e gravatas, água limpa de bebe.
Cavalinhas e tiús, borboletas e besouros.
Tem lagartos verde-azuis e raposas cor de ouro.
Sem falar dos passarinhos, centopéias e lacrais.
Dos tatus, ninhos de urubus e bacuraus.

Vejo imburanas cor de rosa entre flores amarelas.
Não são cores, são meus olhos entrem manchas de aquarela.
Desse a tarde vem na brisa um cheirinho de alecrim.
Canto o grilo sinto à vida, tudo está dentro de mim.
O inverno está no fim, todo mato está em flor e eu me sinto um jardim.
Meliponário do Sertão

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ração protéica para abelhas sem ferrão

Quem pensa que abelhas precisam somente do mel está enganado. Na verdade, as abelhas precisam tanto do pólen quando do mel, o mel representa o alimento energético enquanto que o pólen é alimento protéico.

Fazendo uma comparação bem vulgar, poderia dizer que o mel está para as abelhas assim como a rapadura com farinha está para o cabloco sertanejo, ou mesmo, que o pólen está para as valentes aladas assim como a carne de sol para o nordestino.

Sem pólen de qualidade e em quantidade as abelhas não crescem de forma favorável ao desenvolvimento da atividade do meliponicultor. Dessa maneira, nos períodos de escasses de alimento não adianta apenas empurrar xarope nas abelhas. O ideal é que se forneça também um substituto para o pólen na ausência de boas floradas.

Pesquisas realizadas pela EMBRAPA do Pará mostraram que a quantidade de proteína na composição do pólen é um fator importante para o crescimento das colônias de abelhas sem ferrão.

Dessa maneira, durante o congresso em Cuiabá-MT acabei aprendendo uma ótima receita para o desenvolvimento de uma ração protéica que vem trazendo excelentes resultados no desenvolvimento dos meus enxames.

A receita me foi passada pelo Prof. Dr. Giogio Venturieri e o modo de preparo pelo seu aluno de pós-graduação, o colega Peter Hans Muller, outro cara fera que vai seguindo os passos do Mestre Venturieri. Essas duas figuras trabalham com abelhas sem ferrão já a bastante tempo e são referências na região amazônica sobre as abelhas sem ferrão.


A primeira coisa a se fazer é coletar um pouco de pólen in natura de alguma colônia, a primeira dica é que não pode ser qualquer pote de polén, tem que ser aquele onde as abelhas já inciaram o processo de fermentação, ou seja, aquele polén de potes lacrado de consistência pastosa.

Esse polén possui uma série de microorganismos e substâncias enzimáticas inseridos pelas abelhas que fazem o processo de fermentação do pólen, somente após esse processo químico é que o alimento se transforma nessa pasta que vai sendo consumida pelas abelhas aos poucos. Após a coleta reserve-o em algum recipiente limpo.

Vamos usar cerca de 300g de farinha de soja ou levedo de cerveja, pode ser qualquer um desses, escolha o que tiver a maior concentração de proteína e for mais barato pra você, no caso aqui eu escolhi a farinha de soja.

Junto com a farinha misturamos um pouco de mel ou mesmo xarope, cerca de 200ml, tanto faz o efeito é praticamente o mesmo e as abelhas consomem do mesmo jeito.

Vamos misturando o mel aos poucos a farinha até a consistência começar a ficar pessada para mexer. O ponto certo é esse aí abaixo, veja que ficou um pouco molinho e bem pegajoso.



Após chegarmos ao ponto correto misturamos o pólen in natura que foi coletado antes, misturamos de forma que ele se integre por igual na pasta da ração.


Por fim, após chegarmos a essa massa pastosa já com o pólen integrado a ela a mesma deve descançar por 15 dias enrolada em um pano limpo de modo a permitir um pouco de circulação do ar e a fermentação pelos microorganismos que estão presentes no pólen.


15 dias depois a massa, que era bem pegajosa, se transforma nessa pasta seca de coloração achocolatada. Pronta para ser consumida pelas abelhas. Eu uso copinhos de café para servir a ração, principalmente por que dá pra dosar a quantidade que cada caixa recebeu e consumiu.


Eu utilizo essa ração principalmente nas colônias novas ou mesmo naquelas que forneceram algum material para a formação de novos enxames.

No outro dia quase todo alimento já foi consumido ou armazenado, já observei por várias vezes as abelhas levando a ração para os seus potes de alimento, ou mesmo, devido a tamanho do copinho de café, fazerem ali mesmo uma cobertura com cera e utilizarem o próprio recipiente com "pote natural".

Att,

Mossoró-RN, em 13 de julho de 2010.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão