terça-feira, 24 de novembro de 2009

Colméias de luxo para abelhas sem ferrão

2 comentários

Na cidade de Nova Trento - SC, existe um grande artesão que faz coisas incríveis com madeira, o nome dele é Ivo Rezzini e entre os seus produtos está a confecção de colméias de luxo para Abelhas sem Ferrão. As colméias são confeccionadas no estilo chalé, com varanda e tudo, são feitas com grande capricho e dedicação desse grande artesão que também é meliponicultor nas horas vagas.


Sou grande admirador do trabalho do Ivo pois nunca vi colméias tão bonitas, fora que ele não faz só faz só isso, há diversos outros produtos que são feitos com a mesma beleza, corrimão e escadas, adegas e muito mais.

Infelizmente, devido a distância não tenho como adquirir várias caixas dessas pois o frete ficaria caríssimo, mas pretendo no futuro próximo adquirir algumas para servir de modelo para as minhas pequenas Jandaíras.

Quem quiser saber mais sobre esse e outros produtos entrem em contato com o Ivo Rezzini, através de seu blog: http://artezzini.blogspot.com, vale a pena dá uma passadinha nesse belo espaço de luxo e beleza.

att,
Mossoró-RN, 24 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

_______________

Anônimo disse...

Nossa!!! Que caixas belas, como faço para comprá-las, vc sabe o preço Kalhil???

Bruno Capel
Curitiba-PR


Olá Bruno, não me lembro o preço, mas é justo pois o trabalho é muito bonito e feito com muito capricho, fora que a madeira é de boa qualidade e dura uma eternidade. Entre em contato com ele atráves do seu blog que certamente ele terá todo prazer em lhe atender.

Kalhil Pereira França

Anônimo disse...

Olá Kalhil, tudo legal? Muito legal este post sobre este artesão, e realmente com caixas bonitas como essa as "patroas" não colocarão empecilho para termos abelhas próximas às nossas residências, haja vista à inegável beleza estética das mesmas rsss
Olha, finalmente vou lhe mandar um e-mail para o seu endereço que está ao lado para saber sobre se ainda está de pé o lance dos discos de cria. Até mais. Francisco Mello.


Olá Amigo Francisco, as caixas são muito bem feitas, são lindas e certamente toda mulher gostaria de ter uma dessas para enfeitar o seu Jardim. Pena o Ivo morar tão longe, se não já teria comprado várias caixas dessas, quanto aos discos eu já te respondi através do seu e-mail, mandei discos para vários lugares.

Abraço,

Kalhil Pereira França

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Jandaíras no Rio de Janeiro-RJ

0 comentários
Desafiando o ar pessimista de alguns meliponicultores, é possível sim criar abelhas sem ferrão fora de seu habitat natural. A exemplo disso recebi fotos de uma colônia de Jandaíras enviada por nós a quase um ano ao meliponicultor Luiz Medina, no Estado do Rio de Janeiro (capital) que estão no mesmo padrão de postura (se não até melhor) de nossas matrizes do Meliponário Urbano.


As abelhas cresceram tanto que subiram a postura para o sobre ninho da caixa modelo INPA Jandaíra, na foto, podemos observar que o colega adaptou uma mangueirinha que liga uma tampinha que serve de alimentador interno, acontece que a colônia cresceu tanto que passou ocupar todo o espaço da mangueira, rsrs.


Nesses casos a retira dos discos de cria para uma divisão tem que ser feita com uma faquinha de mesa para partir o disco de cria ao meio pois a postura está sendo desenvolvida para uns dos lados da caixa. Jandaíra faz isso com regularidade, raramente faz discos de cria uniformes, quase sempre vão espalhando a postura por todos os cantos da caixa de forma meio aleatória.


A outra colônia (caixa Branca) é a que pertence a Associação de Meliponicultores do RJ (AME-Rio) e foi por nós doado alguns meses, o Medina me solicitou alguns discos de cria para ajudar na sua divisão, discos esses que serão enviados nessa segunda feira juntamente com o restante da caixa da AME-Rio, a colônia já cresceu muito e precisa de mais espaço.

Percebesse claramente que as duas colônias vivem em condições bem diferentes e mesmo assim as rainhas estão literalmente "bobando" na postura, vejam que a colônia da AME-Rio (caixa branca) por viver em uma área bem mais úmida, está marcada com entrada caixa por um mancha escorrida, isso é fruto do trabalho das abelhas no intuito de reduzir a umidade da caixa elas retiram a água acumulada durante a noite úmida da Serra de Petrópolis.


Já a colônia do Medina está limpinha, não possui praticamente nenhuma marca de retirada de água pelas abelhas, isso se deve ao fato da colônia do Medina está em área urbana, com umidade bem reduzida, detalhe, essa caixa está instalada numa varandinha de um prédio bem alto no centro da Tijuca, rs.


Se bem cuidadas e alimentadas, é possível criar as Abelhas sem ferrão em qualquer lugar do País, basta saber aprender a manejá-las como se devem e ajudá-las no seu desenvolvimento.

No final, um pouco de carinho e atenção é bom para todo mundo, até para as abelhas.

att,

Mossoró-RN, 22 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

sábado, 21 de novembro de 2009

A Meliponicultura no Brasil

0 comentários
Acabamos de receber escaneada a nossa reportagem sobre as ASF que está circulando na Brasil e no Mundo através da Revista O Apicultor. Mais uma fonte de divulgação e apoio a Meliponicultura.

No geral ficou muito boa, como foi publicada de surpresa, sem a realização de uma revisão no texto, não deu tempo de realizar as correções de ordem técnica, mas entrarei em contato com Mestre Pífano solicitando as correções na "errata" da próxima edição da revista.

Gostaria de agradecer imensamente ao Amigo Pífano por dar essa oportunidade de divulgar nossas abelhas e nosso trabalho, não sei nem como agradecer por tão honrosa oferenda, espero muito poder retribuir.

Abaixo segue a Capa da Revista (ed. 66) e corpo de nossa reportagem.

(Para ler basta clicar sobre as fotos)





Um grande Abraço a Todos,

Att,

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma abelha a tempos esperada

4 comentários
Quase não tenho dormido nesses últimos dias, muito mais por questões acadêmicas que estão tomando demasiadamente meu tempo, pouco tenho ido ao meliponário rural, estou até preocupado pois faz um tempão que não dou o ar da graça para tratar algumas colônias que a poucos meses foram removidas para lá.

(abelha Tiúba)

(clique nas fotos para ampliar)

Porém, a minha insônia nesses últimos dois dias foi agravada pela espera anciosa por umas colônias de abelhas que a tempos esperava pela oportunidade de criá-las, são as Tiúbas (Melipona compressipes fasciculata), também conhecida por Uruçu-cinzenta, é uma abelha sem ferrão típica da região do Maranhão e Piauí. Já as conhecia mas não as possuia em nossos meliponários, são abelhas grandes, do tamanho das apis, as colônias são populosas e podem chegar acima das 2.000 abelhas facilmente.

(a vigia, incansável sentinela)

Após colocá-las em seu local definitivo e retirar a tela de transporte tive o imenso prazer de vê-las sair alvoroçadas para trabalhar, imediatamente fizeram o vôo de reconhecimento da área da nova morada e pouco tempo depois já iniciaram a retirada do lixo produzido durante a viagem.

(Tiúba retirando lixo de casa)

A tiúba produz um dos méis mais saboroso que já pude provar na minha vida, não há nem como descrever o sabor pois ele é de uma pureza e peculiaridade que não há comparação.

(abelha Tiúba)

Por aqui, iremos criá-las com muito amor e cuidado, serão nossas meninas de ouro, num futuro próximo serão multiplicadas e sua criação será ampliada. Fui trabalhar hoje com o pensamento mais em casa do que na repartição.

Mesmo tendo um bom conhecimento sobre as ASF em geral, pouco sei sobre os segredos dessa abelha, por isso terei que contar com as dicas dos amigos maranhenses.

É senhores, quem pratica meliponicultura com gosto e com amor fica assim como eu, abobalhado quando recebe um nova espécie, a sensação é a parecida com a de uma criança que recebe um presente e não vê a hora de poder brincar com ele, no meu caso, não vejo a hora de poder manejá-las.

att,

Mossoró-RN, em 19 de novembro de 2009.



Kalhil Pereira França

www.melioponariodosertao.blogspot.com

________________

Paulo Romero disse...

Amigo kahlil,
Parabéns pela nova aquisição,com certeza com a sua dedicação e experiência em meliponicultura,as tiúbas,logo serão um sucesso por aqui.
Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.

19 de Novembro de 2009 21:19

Caro amigo Paulo, não dormi ontem sonhando com essas meninas, eram a tempos esperadas por todos do Meliponário do Sertão.

Kalhil Pereira França


elisabeth disse...

Caro kalhil
Todos os dias visito seu blog para me informar e cada vez mais me apaixono pela meliponicultura.Você tem culpa, pois, além de informações transmite também emoção. Já estou me organizando para começar minha criação de mandaçaias. Pena que você não receba estagiários. Não daríamos trabalho (eu, e mais três colegas, sócias)levaríamos colchonetes, nissin miojo, rss
Até breve
Beth

19 de Novembro de 2009 21:32

Cara Elizabeth, sua professora entrou em contato comigo mas infelizmente não temos estrutura para recebê-las, nosso meliponário rural fica muito afastado e é em zona de difícil acesso, para mim é complicado mas para as abelhas é um paraíso pois não tem contato com agrotóxicos etc, o mel produzido assim é muito mais puro e saboroso. Porém o preço que se paga é caro, infelizmente não tenho com receber estagiários por lá, no máximo visitas monitoradas e agendadas. Mas quem sabe no futuro.

Kalhil Pereira França


Meliponário Alencar disse...

Olá Kalhil! Com certeza irá se apaixonar por essas meninas, são realmente uma graça. Valeu pela visita, abraço!
Francisco Carlos Alencar
www.meliponarioalencar.blogspot.com

19 de Novembro de 2009 21:33

Caro Alencar, vou procurá-lo muitas vezes para aprender os segredos dessas meninas, só vcs aí do Maranhão sabem os melhores manejos sobre elas.

Kalhil Pereira França

montedomel disse...

São muito estranhas essas abelhas Kalhil. São muito raras?
Produzem mais mel por formarem colónias maiores ?

abraços
JPifano - Portugal

20 de Novembro de 2009 16:37

Prezado Pífano,

As tiúbas são do tamanho das apis, não são tão raras, mas por não serem típicas de minha região quase ninguém por essas bandas as possuem, como lhe falei certa vez, nossas abelhas sem ferrão são específicas de cada região do País, somente um outro grande criador amigo meu aqui em Mossoró as cria, mas não muitas.

Ela é muito conhecida (e de fácil localização) no Norte do Brasil, Pará, Maranhão e Piauí, produzem mais mel (de 3 a 5 kg) por serem colônias mais populosas, podem chegar a 2 mil ou mais abelhas.

Caso queira conhecer mais sobre essa abelhas, vá ao blog: www.meliponarioalencar.blogspot.com, o alencar é nosso amigo e parceiro do Meliponário do Sertão, é criador de Tiúbas no Maranhão e grande conhecedor de seu manejo.

Já estou me programando para Avis Melifera 2010, rs.

Kalhil Pereira França

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Meliponário do Sertão ganha destaque no Exterior

1 comentários
Há alguns dias atrás, o colega e meliponicultor Eurico (MG), me enviou um e-mail me informando a respeito da publicação de um artigo (em tom de bate papo) escrito por mim ao amigo e apicultor Joaquim Pífano (Portugal) a respeito de diversas curiosidades da meliponicultura praticada no Brasil, em especial por nós do Meliponário do Sertão.

O Mestre Joaquim Pífano, como já é conhecido por todos pelo seu grande conhecimento a respeito das Apis (www.montedomel.blogspot.com), satisfeito com as informações encaminhou todo texto (espero eu com as retificações, rs) para publicação numa das revistas de maior divulgação e circulação sobre apicultura na Europa.

O mais engraçado é que isso era para ser surpresa para mim pois o Joaquim não tinha me comunicado previamente a respeito da publicação, contudo, o amigo Eurico, de boa fé e sem saber, acabou me contando antes da hora, rs.

Mesmo ainda não tendo sido publicada na internet, a revista " O Apicultor" (www.oapicultor.com) já está circulando praticamente em quase toda a Europa e também no Brasil, com as nossas informações e fotos a respeito de uma das atividades que vem crescendo, mas ainda tem muito a se desenvolver no Brasil, a meliponicultura.

(clique para ampliar)

Não bastasse essa tão grande contribuição para mim e para meliponicultura brasileira, o Mestre Pífano ainda nos convidou para participar da
Avis Melifera 2010, a ser realizada em Portugal. A Avis Melifera é o encontro nacional dos apicultores da Associação Regional do querido amigo português.

Não sabe ele a honra e o prazer que terei em participar de tão belo evento, principalmente em poder contribuir com a divulgação da meliponicutura no Brasil e no mundo, não tenho nem palavras para agradecer.

Assim que recebermos a revista (edição nº 66), que está sendo enviada de presente pela Editora Portuguesa, estaremos postando aqui para o conhecimento de todos a respeito do que foi tratado.

att,

Mossoró-RN, 18 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponario do Sertão

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Jandaíra, uma Abelha Solidária

1 comentários
Ontem à noite, recebi uma ligação de um amigo e meliponicultor, o Luiz Medina do Rio de Janeiro-RJ, que me questionava a respeito de um comportamento que ele e sua família vinham observando com certa preocupação, rsrs.

Há alguns meses atrás eu fiz uma doação de uma colônia jovem de Jandaíra a AME-Rio (Associação dos Meliponicultores do Estado do Rio de Janeiro) e esta dita colônia atualmente encontra-se na casa (melhor dizendo, apartamento) do Luiz para que essa caixa possa ajudar (fornecendo machos diferentes) a uma outra colônia de Jandaíra que é de propriedade do Luiz e será em breve desdobrada.

(foto getilmente cedida por Vinícius, de Maracanaú-CE)

Como ele não tem muito espaço, acabou colocando a colônia da AME-Rio um pouco acima da dele. Com o passar dos dias, foi observado por ele que as abelhas da AME-Rio estavam entrando na caixa dele e vice-versa.

Como todo mundo sabe laços feromoniais diferenciam abelhas de colônias diversas, assim, uma abelha de uma outra colônia dificilmente vai entrar em outra caixa pois corre o risco de ser morta por ter um "cheiro" diferente das outras abelhas, as abelhas encaram essa "invasão" de uma abelha de caixa diferente como pilhagem, ou seja, as abelhas entram na caixa errada de propósito para roubar material, cera, mel etc.

O Luiz me questionava se esse comportamente observado em suas colônias de Jandaíras eram sinônimo de pilhagem.

Para as Jandaíras, essa tese comportamental deve ser relativizada, passo a explicar o porquê:

Durante todos esses anos de manejo com as Jandaíras uma coisa eu aprendi muito rápido com elas, essas abelhas possuem um comportamento extremamente social, as colônias de Jandaíra sempre estão se ajudando mutuamente, as observações feitas pelo amigo Luiz são muito comuns nas minhas também, sempre observo essas entradas erradas em colônias vizinhas.

É muito comum as Jandaíras se comportarem desse jeito, pois devido as adversidades da caatinga, as abelhas precisam serem solidáiras umas com as outras, é muito comum empréstimo de material para construção ou mesmo mel para a manutenção de alguma colônia mais fraca.

Esse comportamente, que aparentemente parece estranho é muito interessante pois mostra o quanto as Jandaíras se parecem com o povo da região, é característica do Nordestino ser sempre solidiário com seu próximo. É costume local do sertanejo ajudar o companheiro que esteja precisando, doa um saco de farinha, um pouco de feijão, um pouco de milho ou mesmo uma criação (ovelha) para matar a fome daquele esteja em mais precisão. Muitas vezes tira até de onde não tem, mas ninguém morre de fome por falta de ajuda.

O Padre Monsenhor Humberto Brunmeng, um dos pioneiros na criação de Jandaíras aqui em Mossoró-RN, também já fazia essas mesmas observações, em alguns momentos costumava colocar as abelhas de castigo, fechava a entrada das colônias por alguns dias para impedir essas entradas erradas.

Na verdade, esse comportamente é muito peculiar dessa espécie, raramente se concretiza dessa forma em outra espécies, nas uruçus por exemplo essas entradas erradas são rapidamente coibidas, as obreiras vigias quase sempre imediatamente entram em guerra com as abelhas invasoras pois certamente o interesse das intrusas é de pilhagem e não a solidariedade.

No intuito de certificar esse comportamento, certa vez fiz uma experiência muito curiosa, coloquei uma rainha jovem e um pequeno disco de cria juntamente com alguns poucos potes de alimento em uma caixa vazia com bastante cera, o meu interesse era observar se abelhas iriam ser tentadas a pilharem a grande quantidade de cera que tinha sido deixada de propósito na caixa sem nenhuma proteção.

Para minha feliz supresa o que aconteceu foi algo surpreendente, passado alguns poucos dias eu abri a caixa e observei que algumas dezenas de obreiras de uma caixa forte vizinha tinham se deslocado para a caixa da rainha solitária e passaram a adotar aquela caixa ajudando a rainha no desenvolvimento do enxame.

(várias abelhas adultas que aparecerem de forma "misteriosa", rs)

A foto acima mostra a dita colônia após 20 dias depois do início da experiência.

(a cera que foi dada em excesso, parte foi transformada em potes de alimento e o resto intacta)

Isso só mostra o quanto as abelhas são inteligentes ao ponto de desenvolverem um comportamento que aparentemente é apenas observado em poucos animais, a solidariedade.

Já imaginou se todos fossem assim, que mundo melhor teríamos!

att,
Mossoró-RN, 16 de novembro de 2009.



Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A nossa história (como nasceu o meliponário do sertão)

3 comentários
Sempre recebo muitas e-mails perguntando com nasceu em mim essa curiosidade/amor pelas abelhas, em especial pelas abelhas sem ferrão, mesmo não tendo inicialmente nenhuma correlação com meu trabalho, pois como muitos sabem não tenho nenhum graduação na área animal, na verdade sou bacharel em Direito, o que a princípio não tem muito haver com ASF.

Contudo, hoje mais do que nunca, vejo na meliponicultura não apenas uma atividade de lazer, mas sim uma louvável maneira de viver e de contribuir de forma consciente com o meio ambiente e, principalmente, de encontrar Deus nas coisas mais simples, mas não menos importante, da natureza.

Pois bem, a quase um ano atrás, exatamente no dia 07 de Janeiro de 2009, eu publicava a 1ª postagem do blog do Meliponário do Sertão falando exatamente disso, contava, em rápidas palavras como foi o meu primeiro contato com o mundo das abelhas sem ferrão e como nasceu em mim o desejo de praticar uma atividade que transformou a minha vida.

Abaixo, mais uma vez (a pedidos), segue publicado o relato da história do Meliponário do Sertão.

" Às vezes as coisas acontecem por acaso, isso é uma verdade.
Nunca pela minha cabeça imaginei que um dia pudesse criar abelhas, e mais, sem ferrão.
Sou apaixonado pelo mar, durante muitos anos fui integrante da Marinha do Brasil, tendo passado aproximadamente 7 anos de minha vida. Fiz carreira como praça nesta maravilhosa instituição.
O tempo passa e as coisas também. No ano de 2004, vim de férias a minha cidade natal, Mossoró-RN; aqui fiz, sem esperar muita coisa, um concurso público para o Ministério Público do RN. Para minha grata supresa, consegui lograr êxito e depois de um ano do concurso fui chamado para trabalhar no MP Potiguar.
Como tinha dito, sou apaixonado pelo mar; próximo daqui existe uma cidade chamada Tibau, lá, pratico por esporte, kitesurf (surf com pipa).
Durante mais um belo fim de semana de velejo, já na nossa tradicional roda de bate-papo, um amigo que é dentista me falou que criava abelhas em casa.
De cara tomei logo um susto, falei: você é louco, criar abelhas em casa, não ferroa ninguém? Vizinhos? etc.
Cara, são abelhas sem ferrão, ele me responde!!!
Eu fiquei tão espantado que não acreditei, como pode abelha não ter ferrão, vejam o quanto da minha falta de conhecimento sobre o assunto.
Nesse dia mal cheguei em casa e fui direto ao computador pesquisar sobre as tais abelhas sem ferrão, em especial uma chamada Jandaíra.
Desse dia em diante surgiu em mim uma paixão que só quem conhece o ramo pode entender, não explicar.
Fui aos poucos conhecendo o maravilhoso mundo das mais de centenas de espécies de abelhas nativas brasileiras sem ferrão, mundo esse que chamamos de meliponicultura.
Atualmente, crio abelhas nativas sem ferrão, com ênfase na abelha Jandaíra (melipona subnitida duke) devido a sua melhor adaptação a minha região.
Como tudo com tempo evolui e cresce, surgiu a necessidade organizar melhor a coisa pois o lugar que criava as abelhas estava ficando pequeno demais para várias colônias que ali tinham sido assentadas.
Dessa maneira, surgiu a idéia de montar um lugar especial para a manutenção das abelhas, um lugar que pudesse ser de fácil acesso e ao mesmo tempo confortavél do ponto de vista floral para as abelhas e como o foco principal de minha criação são as Jandaíras, típicas do semi-árido nordestino, o lugar só podia ser o sertão.
Mais especificamente uma cidade que tenho boas recordações da minha infância, tempos de menino que não voltam mais, tempo onde responsabilidade e dinheiro eram palavras pouco conhecidas.
Taboleiro Grande, cidade situada na ponta da tromba do elefante potiguar, onde Judas perdeu as botas e onde o sol parece não dar trégua a ninguém, terra quente e de mata seca, tão pequena que se você passar a segunda marcha, já saiu da cidade.
Mas essa terra tem uma grande vantagem, lá residem pessoas que amo e que torcem muito por mim e em especial, um casal de velhos que moram num sítio muito bonito, onde a mata nativa está ainda muito bem preservada, onde um rio temporário corre durante a época do inverno e que durante a seca, diversas outras plantas florescem o tempo inteiro, para as abelhas é um paraíso.
Detalhe: esse casal briga o dia todo, mas se amam a mais de 40 anos.
A primeira é minha avó, mulher forte, guerreira, pessoa a frente do seu tempo, inteligente e acima de tudo um exemplo de vida, se não fosse ela seus filhos ainda estavam enfincados no tronco de uma serra que fica de frente pra casa grande.
O segundo, haaaa o segundo...
Falar dele me enche os olhos de lágrimas, homem forte, corajoso, teimoso como ninguém, mas além disso tem uma qualidade que supera todos, tem um coração que não cabe no peito, caloroso, homem simples e assim como eu, apaixonado pelas Jandaíras, quando jovem era um promissor criador, chegou a ter 35 cortiços.
Tinha lugar melhor que esse? não tinha, com certeza.
Pois bem, lá em um dos alpendres da casa grande, instalei prateleiras provisórias e manejei incialmente, 60 caixas de jandaíras, 2 mandaçaia quadri quadri, 2 mandaçaia antidhioides e mais duas jatí (abelha mosquito).
Durante os próximos meses, estarei levando mais alguns enxames de jandaíra e mais um de mandaçaia.
Esse espaço que ainda é provisório, resolvi chamar de "Meliponário do Sertão" uma homenagem a essa terra tão sofrida, mas acima de tudo, maravilhosa.
Assim começou um pouco da minha paixão pelas abelhas sem ferrão e também a história do Meliponário do Sertão."


Kalhil Pereira França
Mossoró-RN, 12 de novembro de 2009.


______________________
Rubim disse...

Caro amigo Kalhil:

Não me canso de "ouvir" a sua história sobre seu amor as Jandaíras e a meliponicultura. Tenho aprendido muito com você. Eu também me apaixonei pelas meninas. Louvo a Deus pelo seu presente. Espero fazer uma divisão dentro em breve.
Torço pelo seu sucesso que acompanho "de perto", mesmo à distância. Que Deus o abenço neste seu empreendimento. Você está me devendo uma visita para aquela "branquinha" e um churrasco, como molho e geléia de pimenta. Estou aguardando.

Um forte abraço,

Luiz Carlos Rubim
Natal-RN


Amigo Rubim,
Infelizmente só vou a Natal nas carreiras, mas prometo que na próxima vou a passeio e vamos tomar aquela branquinha apreciando as meninas trabalhando. Continue a alimentação, logo logo elas estarão prontas para um desdobramento...

Um abraço,

Kalhil
www.meliponariodosertao.blogspot.com

Anônimo disse...

Certamente, esse é um dos blogs mais bonitos e didáticos a respeito da meliponicultura, é imprecionante como podemos perceber nas simples palavras do autor a clara demonstração de grande afeto e convicção àquilo que faz, parabéns Sr. Kalhil Pereira pela beleza de como conduz esse belo espaço.

Bazílio
São Paulo-SP


Vagner Costa disse...

Olá Kalhil, sua história é muito bonita a respeito do amor pelas ASF, as Jandaíras chegaram bem e já estão trabalhando, mal chegaram e já estão trazendo pólen. São muito espertas. É muito bom a gente encontrar gente séria e comprometida.

Mais uma vez, obrigado pela remessa como prometido. Em dezembro volto a procurá-lo.


Olá Bazílio,
Muito obrigado pela suas palavras, fico feliz por conseguir transmitir aquilo que acredito, criar abelhas sem ferrão além de ser prazeroso é bela maneira de ajudar a natureza, pois elas são as maiores responsáveis pela polinização de nossas matas.

Olá Vagner, apenas um detalhe, não esqueça de alimentar as meninas com o xarope que ensinei, elas estão com poucas reservas pois durante a viagem retiramos parte do mel para evitar acidentes. As outras colônias seguiram no próximo mês conforme você solicitou.

Um abraço a todos,

Kalhil
www.meliponariodosertao.blogspot.com


terça-feira, 10 de novembro de 2009

As tímidas e pequenas Iraís (Nannotrigona testaceicornis)

0 comentários
Elas são pequenas, bem pequenas, não chegam a produzir 300ml de mel/ano, frágeis e extremamente dóceis, a Iraí (Nannotrigona testaceicornis) é uma das abelhas sem ferrão mais tímidas e mansas da natureza.

(clique nas fotos para ampliar)

Nosso meliponário conta com apenas duas colônias dessas meninas, não temos interesse em ampliar a criação pois comercialmente falando não interessante aos nossos objetivos, pois quase não produzem mel e a comercialiação dessa espécie na nossa região não tem muito mercado.


Essa abelha é encontrada em muitos lugares do Brasil, principalmente em áreas urbanas por serem pequenas e conseguiram habitar os menores ocos, medem aproximadamente cerca de 3milimetros e do mesmo jeito que as meliponas, fazem potes de alimentos, contudo, bem pequenos para armazenar o pólen e mel.


Seu mel, mesmo sendo muito pouco, é bem doce, seu pólen é bem saboroso e é ácido.

São excelentes polinizadores e podem ser usadas em estufas comerciais para polinização de cultura de plantas de pequeno porte como o Morango etc.


O seu ninho é uma obra de arte, encoberto por diversas camadas de lamelas de cerume, é bem protegido, seu própolis é de excelente qualidade e pode ser facilmente processado para o consumo humano.

Os discos de cria são quase sempre construído em formato espiral, são da tribo das Trigonas e assim com as Apis, a formação da rainha é alimentar, constroem realeiras.


Tem população que varia entre 2.000 a 3.000 abelhas e se multiplicam com bastante facilidade. Basta serem estimuladas com alimentação arficial que rapidamente a postura da rainha é acelerada para a enxameagem.


Uma curiosidade dessas abelhas é fato encontrarmos sempre algumas dezenas de abelhas guardas na entrada, constroem um tubo de entrada bem comprido externamente. Esse tudo é feito de cera fina e maleável e toda noite é fechado para impedir a entrada de inimigos (formigas e outros incetos), é raro mas em algumas vezes elas podem estenderem esse tubo de entrada, chegando a mais de metro.


Entre as abelhas que possuímos, a Iraí é a que vai ao pasto mais tarde, geralmente seu tubo de entrada só aberto após as 7:00h, enquanto que as outras meliponas (jandaíra, uruçu, mandaçaia etc), saem por volta das 5:20h.

Contudo, esse fato não é problema por que a demora para sair é compensada pelo rítmo de trabalho diário, passam o dia trabalhando, a coleta de alimento é realizada durante todo o dia, bem diferente das outras meliponas que possuem um horário certo de coleta, paralisando sempre nos horários mais quente, elas não, quase sempre, mesmo no horário de maior calor, realizam o trabalho de maneira constante.

att,

Mossoró-RN, 10 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

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