segunda-feira, 9 de abril de 2012

Abelha Jatí, pequenas... mas muito produtivas.

Ainda na semana passada fui avisado pela minha sogra que uma de minhas colônias de Jatí  estava muito populosa e chegavam com enormes cargas de pólen. Passei toda semana esperando o início do feriado da páscoa para que eu pudesse, com muita calma e paciência, inspecionar.

(CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR)

(Colônia de abelhas Jatí, entrada permanentemente viagiada por algumas abelhas)

A Jatí (plebeia sp.), também conhecida com abelha mosquito, é uma abelha sem ferrão muito conhecida em quase todo o nordeste brasileiro. Trata-se de um inseto muito pequeno e extremamente dócil, sem nenhuma defensividade. Essa espécie é muito populosa e chega facilmente a casa das 10 mil abelhas. Não confundir essa abelha com a Jataí (tetragonisca angustula angustula), os nomes são parecidos mas são animais diversos, a Jatí é ainda menor.
  
(ninho de abelhas Jatí,  muito populosa)

Com extremo cuidado, levantei a tampa superior do ninho. Nesse momento tive uma grata surpresa em observar um belo enxame com lindos discos de cria e muitos potes de mel e pólen. Assim que abri centenas foram as abelhinhas que procuravam a caixa mãe no seu lugar de origem. Imediatamente coloquei uma outra caixa no lugar para que pudesse trabalhar sem provocar um estresse maior.

 (visão geral do ninho, postura de células novas em série)

Na medida que fui observando o ninho, principalmente nos discos mais velhos, percebi a existência de muitas realeiras, sinal claro que essa colônia está prestes a enxamear. Como quero ampliar minhas matrizes dessa espécie, que por sinal não estão à venda, resolvi na hora realizar uma divisão. Na família Trigonini, da qual essas abelhas fazem parte, o processo de enxameação depende da existência de realeiras, aqui o processo de formação das rainhas é bem parecido com o da espécie africanizada (apis melifera). 

 
As abelhas, ao perceberem a necessidade da enxameação, puxam uma ou várias realeiras que são alimentadas com uma quantidade maior de alimento. A célula é, de certa maneira, fácil de ser encontrada. Basta um olho bem treinado para rapidamente identificar a célula real. Percebam que nas fotos acima há uma célula de cria de tamanho ligeiramente maior, essa é REALEIRA. Percebam, também, que o tamanho das células de cria podem variar um pouco, nessas de tamanho um pouquinho maior encontramos a casta dos machos e obreiras soldados, que são identificadas por seus olhos "enormes".

(abelhas macho e fêmea da espécie Jatí, tamanho dos olhos identifica o gênero)

Antes de dividir o enxame praticamente ao meio, pois a retirada normal de discos era praticamente impossível, fiz uma inspeção na área dos potes de mel e de pólen. Praticamente não há mais lugar onde colocar o pólen que é coletado pela manhã. É perceptível o destaque pela cor de uma preferência floral, confesso não conhecer de onde está vindo este polén, mas bem que um análise polínica resolveria esse dilema.


 
(grande abundância de polén de coloração bem amarelada, origem desconhecida)

Do mesmo modo se encontra a área dos potes de mel, percebam que mesmo muito pequenas elas estão aproveitando a ótima oferta desse recurso e construindo novos potes para armazenamento. Penso que essas abelhas tem enorme potencial agrícola, principalmente em área de cultivo protegido (casa de vetetação).


(mesmo muito pequenas, são proporcionalmente muito produtivas)


Já existe no Brasil muitas experências com o uso de abelhas sem ferrão dessa família para aumentar a polinização em áreas de cultivo regular. Todavia, é preciso novas pesquisas para se saber quais são as espécies de abelhas sem ferrão mais adequadas a cada tipo de cultura. 


Para dividir não foi possível retirar os discos da maneira regular, ou seja, retirando-os por completo, pois devido ao tamanho reduzido, era quase impossível puxar todo o conjunto sem injuriar todo o restante do ninho. O jeito mais fácil e menos agressivo foi partir com um faquinha os discos ao meio, percebam que ao final do corte quase que destrui uma outra realeira que se encontrava logo abaixo na 3ª camada de discos. Com muito cuidado conseguir coletar mais essa realeira e juntei ao conjunto que foi extraído.


(conjunto de discos para divisão da abelha Jatí com algumas realeiras)

Após retirar os discos coloquei todos em uma caixinha usada que continha grande quantidade de resina e cerume ainda em ótimo estado de conservação. Todo esse material será muito útil a formação do novo enxame que certamente ser formará. Assim que alojei os discos fechei a caixinha e posicionei-a no lugar que se encontrava a caixa mãe. 

 (caixa nova recebendo os discos de Jati para divisão)

A essa altura do campeonato várias eram as abelhinhas que esperavam angustiadas pela nova morada. Assim que me afastei da caixa elas rapidamente foram entrando no novo lar. O mais interessante é observar a grande quantidade de camperias que estavam do lado de fora com uma enorme carga de polén nas patas. Por isso, não será nem necessário retirar alimento da caixa mãe, pois elas estão encontrando alimento com facilidade.

(muitas campeiras do lado de fora à espera pela caixa nova)

Ano final de tudo, fechei ambas as caixas e levei a caixa mãe para outro lugar mais distante. Ainda hoje pela manhã adicionei um pequeno alimentador com xarope fresco na caixa nova e já pude perceber a formação de novos potes de alimento.

Abaixo segue um rápido vídeo onde é possível observar todas elas entrando rapidamente na caixa nova. O vídeo ficou um pouco sem foco, mas se ver com facilidade a grande carga de pólen nas patas de todas as campeiras que chegavam do campo.


(Abelha Jatí (plebeia sp), entrando na caixa nova, divisão em 08.04.12)

A média para a formação de uma nova rainha dessa espécie gira em torno de 20 dias, nesse tempo acompanharei de perto essa colônia e estarei no decorrer dos próximos dias tirando novas fotos para que todos vocês possam acompanhar o desenvolvimento dessa linda espécie, o chodó de todo meliponicultor.

10 comentários:

  1. Rapaz, são lindas demais, como faço pra conseguir um enxame desses?

    Eduardo Feitosa
    João Câmara-RN

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  2. Amigo, essa abelha é muito fácil de ser encontrada em sua cidade. Talvez até com uma caixa isca bem preparada você consiga capturar.
    Aqui em Mossoró-RN elas são muito fáceis de serem encontradas na zona urbana, conheço um amigo que tem 4 enxames todos nos muros do quintal de casa.
    Me mande um e-mail que ensino como fazer uma boa e eficiente isca.

    att,

    Kalhil
    Meliponário do Sertão

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  3. Gente ,
    Aí só dá abelha diferente !!!
    Me parece que apesar de plebeia os potes são bem grandes , e a formação dos "discos" faz lembrar a jandaíra, sem forma circular predominante.
    São encatadoras !!!
    Medina

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  4. Essas abelinhas são muito bonitas e interesantes. já tentei cria-las, mas não deu certo.se você puder me mande as medidas de caixas para elas
    modelo inpa e nordestina.

    João

    São Miguel-RN

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  5. Prezado João, use uma caixa de 15 x 15 x 20, é bastante adequada para essa espécie.

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  6. Valeu, Kalhil, muito obrigado.Vou tentar situa-las nesse modelo.

    João

    São Miguel-RN

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  7. Ola Bom dia gostaria de saber como faço a isca pra capturar essas jatai

    meu email: joaomarcelomatos@hotmail.com

    agradeço desde já

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  8. eu pequei uma desa vai demora moito para produzir mel

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  9. Olá, aqui em minha residência tem uma casinha dessas abelhas, elas estão no armário. Cerca de 15 dias, quando poderei fazer uma duplicação?. há chance de levar um ninho para o interior, teria já que ser na caixa racional ou na isca? como levar elas para o interior, já que moro na cidade?

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  10. Prezado Rafael, por favor, me encaminhe um e-mail com fotos para que eu posso identificar a espécie (kalhil_p@yahoo.com.br), ensino com transferir para caixa e realizar a remoção para outro local.

    att,

    Kalhil

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