segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O que é mel???

O que é mel???


Ora, mas que pergunta mais besta!!! Todo mundo sabe o que é mel. Mel é o líquido doce, de cor, cheiro e consistência variadas a depender do tipo de florada, oriundo da transformação do néctar das flores colhido pelas abelhas.

Pois bem, eu também sempre pensei assim, logo o mel é o produto produzido pelas ABELHAS para sua alimentação, certo! ERRADO.



Para as Autoridades Brasileiras responsáveis pelo Sistema de INSPEÇÃO INDUSTRIAL E SANITÁRIA DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL - RISPOA mel é:

TÍTULO X
INSPEÇÃO INDUSTRIAL E SANITÁRIA DO MEL E CERA DE ABELHAS
CAPÍTULO I
Mel


Art. 757 - Entende-se por Mel o produto alimentício produzido pelas
abelhas melíferas a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas, que ficam sobre partes vivas de plantas, que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas próprias e deixam maturar nos favos da colméia.

Segundo o conceito técnico (e legal), mel é somente o produto alimentício produzido pelas abelhas das espécie Apis melifera, sendo assim, o mesmo produto produzido pelas abelhas indígenas brasileiras não pode ser considerado como mel.

Esse absurdo se deve ao fato que o mel dos meliponíneos não possui as mesmas características sensorias e físico-químicas do mel produzido pelas abelhas africanizadas do Brasil.




Ora, Isso é lógico. As abelhas indígenas brasileiras são abelhas completamente diferentes das apis, não só pelo fato de não terem ferrão (ferrão atrofiado), mas principalmente pela diversidade de méis produzidos, cada um mais delicioso que o outro.

Não há necessidade ir muito longe, o mel produzido por nós aqui no Meliponário do Sertão foi escolhido no ano passado no Concurso Nacional de Méis de abelhas sem ferrão produzido pela Asssociação de Meliponicultores do Estado do Rio de Janeiro o melhor mel do País. Fato esse que até hoje nos enche de orgulho e satisfação.

Mas mesmo assim, legalmente falando o que é produzido pela meliponicultura não pode ser considerado como mel. Se esse líquido maravilhoso não é então eu não sei o que é.

Já sei, talvez nós meliponicultores devessemos chamá-lo não de mel, mas sim de líquido doce, de sabor e qualidade medicinais insuperáveis, raro por natureza e desconhecido pela autoridades brasileiras, oriundo de abelhinhas extremamente dóceis, que não fazem mal a ninguém.

Mesmo assim, acho que os burocratas ainda vão procurar reclamar de alguma coisa nesse novo conceito. Esse é um dos grandes motivos da meliponicultura não crescer no Brasil, a falta de informação a respeito da existência de nossas abelhas nativas.


Certa vez, em conversa com um grande meliponicultor da região, produtor de significativa quantidade de "mel" de Jandaíra questionei o fato de ninguém se preocupar em obter o selos de vigilância sanitária federal (SIF), estadual (RISPOA) ou mesmo municipal (VS). A resposta foi curta e grossa: Eles nem sabem o que é Jandaíra, muito menos o que é o mel produzido por elas.

A verdade é que o que nos motiva a continuar na atividade é o amor pelas abelhas nativas, a sua nobreza e importância na natureza estão ainda muito bem escondidas por trás da falta de informação a respeito de sua existência e principalmente, pela falta de interesse em preservar algo que é cobiçado por muitos países, a nossa imensa biodiversidade.

Enquanto isso, ficamos aqui como maravilhoso líquido doce oriundo das abelhas nativas do Brasil, que não pode ser chamado de mel.

att,

Mossoró-RN, 18 de janeiro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Beleza do Meu Sertão Potiguar

Há coisas que só um olhar atento e curioso pode perceber, muitas vezes a beleza da natureza de um povo está tão clara que chega a cegar. De tão acostumados a percebermos o encanto das coisas passamos a enxergá-la de maneira simplória.

Hoje de manhã eu e minha família nos dirigimos rapidamente a Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. A viagem foi muito rápida, pois compromissos importantes nos esperavam ainda na noite de hoje em Mossoró.

Sem está dirigindo pude aproveitar para vislumbrar melhor a paisagem que percorremos. O trecho já é bem conhecido por todos nós, mas hoje algo me fez passar a observar de forma mais detalhada o caminho e nele pude perceber muitos encantos de encher os olhos.


Na ida, paramos para almoçar num restaurante já bem conhecido pela ótima comida na estrada, bem próximo a Natal. Durante o almoço, parei para observar uma grande concentração de abelhas nos pés de coqueiro próximos. Várias eram as espécies que por lá colhiam muito pólen, principalmente as daninhas irapuás.


Já na volta, passei a disparar a máquina em cada bela paisagem. Inicialmente, parei para observar bem de perto esse belo pé de Flamboyant vermelho. A grande árvore em contraste com a simplicidade da casa nos mostra o quanto custa pouco ser feliz. Aproveitei e parei para conversar com os donos casa.

Os proprietários, Dona Raimunda e Seu João, me contaram que o pé esteve mais bonito, pois muitas de suas lindas flores já caíram. Mesmo assim, continua de tirar o fôlego.


Quando pensei que não encontraria mais um pé de Flamboyant tão bonito assim me aparece esse de tonalidade laranja, mais lindo ainda que o primeiro. As cores são tão vívidas que de longe o avistamos em meio a mata ainda seca.


Um pouco mais a frente encontro mais um, este estava solitário junto a um grande descampado de pasto seco. O encanto da árvore suaviza o cinza da paisagem sertaneja durante essa época.



Caminhamos e a diante vejo ainda de longe o pico do Cabugi com seus quase 600m de pura beleza. O pico do Cabugi é uma das paisagens mais bonitas do Sertão do RN e fica ainda mais belo quando estamos bem pertinho. As fotos não conseguem demonstrar a grandeza de sua forma e encanto.


Continuamos percorrendo e durante todo o caminho da volta uma planta me chama a atenção pela sua constância na paisagem, os grandes pés de Cacto, principalmente os Cardeiros. Os cactos são as figuras mais representativas do Sertão. Sem folhas, cheios de espinho e acima de tudo extremamente resistentes às enterperes do clima do sertão, mostram que para se viver nessa região é preciso muita perseverança.




Por cada pequena cidade que passamos uma feirinha nos espera na beira da estrada, cada venda mais colorida e enfeitada que a outra com todos os produtos possíveis e imagináveis. Vende-se de tudo: de manteiga da terra a feijão verde, de mel de "italiana" ao raríssimo mel de jatí.






Falando em "italiana", fizemos uma paradinha na cidade Lajes-RN. No ponto de apoio dos ônibus da viação Nordeste, me dirigi a lanchonete e olhei para a máquina de sorvete. Quando já ia fazendo o meu pedido vejo que a máquina estava completamente dominada por uma grande quantidade de abelhas africanas.


Desisti na hora, rsrs. Perguntei a atendente se era comum ser assim e ela me disse que não. Sempre tem uma ou outra na área, mas somente na época da seca elas passam a praticamente dominar a máquina. Perguntei se elas incomodavam porém não deu tempo nem de terminar a pergunta, ela me mostrou a mão com duas picadas somente naquela tarde.

Mandei que ela pedisse aumento ou mudasse de emprego, rsrs.

Antes de chegarmos em Assu-RN, passamos sobre o Rio Piranhas-Assu, extremamente largo. A água percorre por caminhos sinuosos formando pequenas ilhas de vida onde diversas aves fazem seus ninhos.


Na época de chuvas todo o leito do rio fica completamente tomado, principalmente pelo fato de que a barragem Armando Ribeiro, uma das maiores do Nordeste, tem sua sangria diretamente no rio.



Mas nem tudo é beleza, a frente pudemos observar o trabalho incansável das várias cerâmicas do Vale do Assu que queimam 24h por dia milhares de toneladas de madeira, tudo mata nativa. Pena saber que assim como muitos pé de Imburana, Cantigueira, Angicos etc, muitas abelhas também são queimadas vivas dentro desses grandes fornos.


Já encerrando a viagem, já bem próximo a Mossoró-RN me deparei com grandes plantações de melão. Pedi que reduzissem um pouco a velocidade, pois onde tem plantação de melão tem abelha.


Dito e feito, foi só caminhar um pouquinho e encontrei um grande apiário. As caixas, todas da cor azul, estavam voltadas para o nascente.



Contei mais de 50 caixas, certamente tinha muito mais, contudo o mato seco e fechado dificultava a aproximação na cerca para fotos mais nítidas. Além do que já, estava ficando escuro e pouco se enxergava.


Devido ao adiantado da hora não pude parar na fazenda para conversar com algum responsável sobre as abelhas, fica para uma próxima vez quando o tempo não for um fator contrário.


Por fim, ainda deu tempo para encerrar a viagem com esse belo pôr-do-sol. Certamente passei a enxergar o caminho a Natal com outros olhos. Pude, mais uma vez, ter a certeza do quando é belo o meu Sertão do Rio Grande do Norte.

A todos uma ótima semana.

att,

Mossoró-RN, 06 de Janeiro de 2009.


Kalhil Pereira França

Meliponário do Sertão

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um descuido fatal

Antes de mais nada, gostaria de me desculpar com os amigos do Meliponário do Sertão pela grande ausência no blog, desde o dia 20 de dezembro estava praticamente voltado para as festividades do natal e ano novo.

Infelizmente, não iniciei o ano muito bem com minhas abelhas, devido a um grande descuido por parte de alguém daqui de casa, tivemos um perda incalculável de abelhas da espécie Mandaçaia (todas as subespécies).



Antes de viajar, algum desavidado deixou uma lâmpada acessa em uma parte do Meliponário que se concentra algumas colônias, em especial, grande parte das minhas belas mandaçaias.

O Problema em si não foi a lâmpada acessa, mas o fato de embaixo dessa lâmpada existir uma pia com cheia de água que refletia a luz da lâmpada gerando nas abelhas uma desorientação em direção a água.



Como nós sabemos, as abelhas se orientam pela luz e procuram seguí-la para realizarem seu vôo. Durante as primeiras horas da manhã as abelhas saiam, ainda pela alvorada com pouca luz, e davam de cara com o reflexo da luz da lâmpada dentro da pia.



Resultado: perdi muitas abelhas, na sua grande maioria mandaçaias principalmente por que elas saem bem mais cedo do que as Jandaíras e uruçus, nas fotos podemos perceber a pia completamente lotadas de abelhas mortas, pela quantidade de abelhas mortas tenho certeza que perderei várias colônias e diversas outras estão em risco devido a falta de mão de obra (obreiras adultas).

Enfim, vou ter que começar tudo de novo... Pelo menos isso serviu de exemplo para todos nós do quanto a falta de cuidado com lâmpadas pode prejudicar as nossas abelhas, vamos agora torcer pra ver o que vou conseguir salvar e recuperar.

att,

Mossoró-RN, 1º de Janeiro de 2010.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PITO Anti-Forídeo II (por Oderno Theves)

Conforme solicitado por vários visitantes do Meliponário do Sertão, entrei novamente em contato com o amigo Oderno para que ele mesmo nos explicasse a eficiência e o modo de fazer o Pito anti-forídeo, o colega prontamente me respondeu nessa tarde com todos os detalhes para a confecção do instrumento que é extremante fácil de fazer, barato e conforme já comentado, extremamente eficiente.

PITO Anti-Forídeo


Material necessário para construir o pito Anti-Forídeo:


- Um pedaço de tela metálica bem fina de Inox, latão ou de ferro zincado de aproximadamente 6 x 4 cm.

- Uma tampa de pote de remédios, com as dimenções aproximadas das da foto.

- Uma arruela de plástico duro (no protótipo foi usado uma arruela de fenolite). Peça opcional conforme o texto.

- Um pouco de cola adesiva para plásticos ou cola quente, aquela da pistola.


Moldagem da telinha e montagem do conjunto.


- Faça um furo com uma broca de 12 mm no centro da tampa plástica, no caso do protótipo, igual ao furo da caixa das abelhas.

- Numa fôrma de aproximadamente 8mm de diâmetro, molde a telinha de metal, até que ela fique com um diâmetro interno de aproximadamente 10mm.

- Introduza uma broca de 10mm no cilindro e proceda na soldagem da emenda do tubo, com estanho ou com cola quente. No protótipo foi usada tela de inox e a costura foi soldada com estanho.

- Observação: Para leigos em soldagem, não se aconselha a tentativa de soldar com estanho a tela de inox.


A fixação do tubo de tela a tampa plástica, dependerá um pouco da habilidade de cada um. A fixação poderá ser efetuada com um pouco de cola quente, em ambos os lados da tampa plástica.

No protótipo, foi feito uma pequena virola num dos extremos do tubo de tela, de aproximadamente 2mm e esta virola foi colada e prensada entre a tampa plástica e a arruela de fenolite.

Seguem mais fotos do dispositivo.


Instalação do pito na entrada da caixa.


Ao instalar o pito, deixe um espaço de 4cm entre a parede da caixa e a tampa plástica.

As abelhas praticamente ignoram a instalação do pito,

pois elas sempre virão voando e entrarão na colméia sem dificuldade.

Para ter efeito maior, passe um pouco de pomada de vaselina na parte de trás da tampa plástica.


Como funciona o Pito Anti-Forídeo.


O forídeo, normalmente para acessar a entrada da colméia, vem correndo pelas paredes da caixa e entra rapidamente pela porta de entrada das abelhas.

Com o Pito, a entrada dele será barrada pela telinha do tubo. Como o forídeo é atraído pelo cheiro que vem de dentro da caixa ele insistirá em entrar pelo caminho mais curto e acabará desistindo do intento. Nem todos serão barrados, pois sempre tem aqueles mais espertinhos, que acessarão a entrada voando.

Na prática, tem-se observado uma diminuição na invasão de forídeos de 70 a 80%.


Dispositivo elaborado por:

ODERNO A. THEVES

Cruzeiro do Sul – RS

oderno@gmail.com


Certamente, esse dispositivo será aprimorado, mas já é uma evolução na redução desse problemas, principalmente nas regiões mais úmidas do País onde essa mosquinha se prolifera com maior facilidade.


att,


Mossoró-RN, em 16 de dezembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pito Anti-forídeo

Todo mundo sabe que o maior inímigo da Meliponas em geral é o forídeo. O forídeo, como já foi por diversas vezes aqui explicado, é uma mosquinha que em colônias fracas acaba entrando nas caixas e se reproduz com muito facilidade nos potes de pólen, destruindo rapidamente toda a colônia em poucas semanas.

Dessa maneira, o amigo e Meliponicultor Oderno de Lajeado-RS, inventou uma maneira de combater, ou pelo menos reduzir, a entrada dos forídeos, ele bolou uma entrada ou Pito anti-forídeo.


Ao observar o comportamento da mosca, foi descoberto por ele que o forídeo usa o cheiro como a principal maneira de localizar as colônias com dificuldades, ao pousar sobre a caixa o forídeo caminha até a entrada se baseando pelo cheiro originário do pequeno orifício.


Porém, ao chegar na entrada o forídeo não consegue entrar pois mesmo sentindo o cheiro não sabe localizar a entrada de maneira correta pois o pito de entrada é todo vazado com micro furos que confundem a orientação do forídeo.


O fato é que o instrumento é muito fácil de ser feito e segundo o fabricante, impede ou mesmo reduz de forma segura a entrada dos malditos forídeos, por aqui os forídeos a tempos não me provocam perdas, principalmente devido ao clima bem mais quente que não favorece o seu aparecimento, contudo pretendo testar esse instrumento em colônias mais novas que são alvos certos das malditas mosquinhas.

att,

Mossoró-RN, em 15 de dezembro de 2009.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão
_____________

Henrique disse...
Como são os furos que devem ser feitos no pito??
Ou usando apenas essa tampinha em volta da entrada dá certo?
15 de dezembro de 2009 17:22Excluir


Kalhil disse...
São micro furos, o ideal é usar uma telinha de metal bem fina onde o forídeo não possa passar, não sei exatamente a espessura desses micro furos, vou entrar em contato com o Oderno para que explique mais detalhes.

Se usar só a tampinha não vai resolver, é preciso que o forídeo reconheça o cheiro, e tente entrar da maneira mais fácil, contudo não vai ser esperto suficiente para saber que tem que caminhar um pouco mais até a tampinha.

Kalhil Pereira França

www.meliponariodosertao.blogspot.com


Anônimo disse...
Seria interessante que essa armadilha fosse melhor explicada pois as meliponas e trigonas agradeceriam muito.

16 de dezembro de 2009 10:50
Excluir
Kalhil disse...
Pessoal, já enviei um e-mail ao Oderno para que ele nos explique melhor sua invenção, não posso dá muitos detalhes pois só recebi as fotos, certamente ele nos brindará com outros detalhes
importantes.

Kalhil Pereira França
www.meliponariodosertao.blogspot.com

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quis ajudar e só levou aperto, rsrs!!!

Prezados colegas.

Vejam essa história que serve apenas para ilustrar o comportamento das abelhas sem ferrão:

Estava eu estudando o comportamento de postura das Tíubas, que por sinal é bem diferente das Jandaíras, e me deparei com seguinte cena.

A rainha inicia o ritual de postura determinando que as obreiras façam o enchimento da célula de cria com alimento; após as obreiras realizarem a colocação do alimento ela ordena que as obreiras rainhas coloquem ovos alimentares, plenamente obedecido, a rainha come 4 ovos tróficos (ovo alimentar real) seguidos e coloca o seu ovo, que por sinal é mais gordinho que o da obreira rainha.

Após colocar seu ovo, realiza o mesmo procedimento por 5 vezes consecutivas, sem intervalo, era terminando uma célula e inciando a postura em outra, sempre comendo de 3 a 4 ovos alimentares.

Na 6ª vez que ela iniciou o processo uma coisa diferente aconteceu, quando ela foi colocar o 6º ovo ela não consegui, saiu da célula deu mais umas duas baforadas (a baforada dentro da célula libera feromônio Juvenil que impede o desenvolvimento do genes de rainha, ou seja, daquela célula nascerá uma obreira e não princesa)... tentou de novo, mais uma vez ela não consegui, acho que falou assim:- poxa, não tó bem!!! Mas sou brasileira e não desisto nunca!!!

Tentou por mais 3 vezes e não consegui. Saiu da célula e foi ovopositar em outra;
(Ela não consegui pois talvez o ovo seguinte ainda não estivesse pronto para ser liberado, mas como elas está sendo estimulada a ovopositar está a todo tempo determinando a construção de células de cria).

Quando ela saiu de cima da célula de cria a obreira rainha (que era pangolim: pangolim é o nome dado pelo Mestre Cappas as obreiras rainhas dominantes, geralmente são as de maior forma) se aproximou e observou que rainha não tinha realizado a postura, sabem o que ela fez????

Assumiu o lugar da rainha e determinou (através do mesmos comandos) que a obreira que estava com a rainha colocasse mais alimento, duas outras obreiras colocaram um pouco mais de alimento, uma terceira veio e colocou um ovo alimentar, a obreira dominante comeu esse ovo e ovopositou o seu ovo.

Nesse intervalo a rainha já estava iniciando outro processo de postura no disco superior de forma normal. Quando lá de cima do disco ela viu que as obreiras rainhas estavam realizando um ritual de postura. Sabem o que ela fez???

Rapaz foi muito engraçado!!! Ela desceu do disco e saiu correndo batendo as asas freneticamente (esse comportamento de bater as asas dessa maneira indica que a rainha está a liberar o feromônio corporal real, este feromônio é típico da elite real, exclusivo da rainha fisiogástrica) em direção ao ritual de postura da pangolim, quando chegou lá, abriu a boca e deu uma baforada na cara da pangolim meio que dizendo assim: Ei porra, tá doida??? Quem manda nessa parada aqui sou eu!!!

(Na verdade, nessa última baforada a rainha libera o Feromônio Mandibular Real -FMR, indicando a pangolim que quem é a rainha é ela, e que esse comportamento da pangolim não é permitido, rs)

A Pangolim ficou atordoada, abaixou a cabeça e a rainha passou a descer o sermão, batendo com as patas dianteiras na cabeça da Pangolim e abrindo e fechando a boca.

(O ato de bater levemente com as patas dianteiras cabeça das obreiras-rainhas significa que a rainha está literalmente passando o seu cheiro para aquela obreira-rainha, a rainha, na verdade, ao bater alisa os pelos da cabeça da abelha passando o seu cheiro de dominância para que aquela abelha passa a circular com o cheiro da rainha, espalhando nos 4 quanto da colônia que aquele cheiro é o real.)

Uma outra obreira que acompanhava a rainha veio do seu lado e retirou quase que no "braço" a obreira que já estava celando a célula que tinha sido posta pela pangolim. A bichinha deve ter dito assim: Calma!! Que que eu fiz de errado??!1??

Em seguida, uma outra obreira fiel da rainha veio por trás dela e abriu a célula de cria e comeu o ovo da pangolim. A rainha então tentou realizar a postura novamente e dessa vez conseguiu. rs.

Eu acho que aquela pongolim nem era rival da rainha, pelo contrário, pois eu percebi que ela até estava fazendo parte dos rituais anteriores das rainhas, mas como a rainha não tinha conseguido colocar o ovo dela eu acho que ela quis "ajudar", deve ter pensado assim: há, se ela não conseguiu, eu vou por o meu aqui para não disperdiçar o trabalho da galera.

Algumas obreiras comuns devem ter concordado: Pô, é isso mesmo, tanto trabalho pra nada, vai lá que a gente te ajuda. (as duas obreiras que encheram de novo a célula para a pangolim).

Mas aí a rainha, com ciúmes, decidiu que NÃO, deve ter por fim pensado assim: AQUI É BAGUNÇADO MAS TEM GERÊNCIA, RSRS!!!!! Quem manda aqui sou eu e pronto, rsrs!!!!

att,

Um abraço a todos,

Kalhil Pereira França
www.meliponariodosertao.blogspot.com
Mossoró-RN

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Cappas disse...

Prezado Kalhil ,

Gostei muito dessas suas observações, agora já sei que mais alguém observa o que eu vejo(rsrssrsrsr). Isto que conta acontece também em outras Meliponas. Claro que em Jandaira a coisa é bem diferente pois se baseia em regras sociais também algo diferentes ( Afinal a jandaira é uma Melipona da Seca ).

O amigo errou só num ponto: A rainha mãe ordena para que obreiras normais coloquem ovos alimentares. Pois o trabalho de uma obreira é colocar ovos alimentares. Ou seja ovos colocados antes do ovo da rainha mãe. Neste processo não entra as obreiras rainhas a botar ovo.

As obreiras rainhas colocam ovo só depois da rainha mãe ter colocado o seu ou então numa célula em que a rainha não fez postura , como o amigo relatou e bem nesta historia. ( Mas neste caso a sua pangolim não estava colocando ovos férteis na sua perfeição, pois seus ovários ainda estavam algo dominado pelos Feromonas Reais da rainha , é por causa dos Sermões, entende Kalhil ? )

Na Tiuba as obreiras normais colocam ovos alimentares típicos ou seja ovos inférteis . Em algumas colónias órfãs não nasce nada pois as obreiras rainhas ficam de tal maneira castradas que não conseguem colocar ovos férteis viáveis , isso porque muitas obreiras rainhas se neutralizam. Se por algum motivo aparecer uma líder que consiga dominar e coordenar as elites , podem nascer machos, mas pelo que sei é raro.


Como podem ver é o Feromona Mandibular Real a actuar, agora quem pode dizer que ele não existe ?

Esse método de bafo com sapateado é uma forma muito violenta de Sermão.

Como pode ver amigo Kalhil a rainha mãe passava as patas pelas suas mandíbulas a uma alta velocidade para estas ficarem bem perfumadas antes do batuque na cabeça dessa pangolim.

[...A Pangolim ficou atordoada, abaixou a cabeça e rainha passou a descer o sermão, batendo com as patas dianteiras na cabeça da Pangolim e abrindo e fechando a boca...]

Nesse momento ela abre e fecha as mandíbulas para fazer descarregar o Feromona Mandibular Real , pois ao abrir espreme a glândula mandibular ... o abrir e fechar a boca é uma forma de ordenhar a glândula.

Dr. João Pedro Cappas
Portugal


Prezado Mestre, venho me dedicando a fundo ao estudo do comportamento das meliponas, principalmente dos rituais de postura, pra mim é um prazer observar esses detalhes comportamentais que são inerentes as ASF.

Há muito a se descobrir no mundo das abelhas sem ferrão...

Um grande abraço e obrigado pela orientação no presente estudo.

att,

Kalhil Pereira França

www.meliponariodosertao.blogspot.com


Wilhans H. Pereira disse...

amigo Kalhil,
Muito bom seu relato amigo, vejo que vc é um ótimo observador do comportamento das asf!
Eu achei muito legal o jeito com que vc conta o q viu, principalmente as falas das abelhas! hehehe
Parabens amigo, continue assim sempre alegre!!!
Abraços!


Obrigado Wilhans, na verdade, ao estudar os rituais de postura eu tento pensar com as abelhas, rsrs. Mas certamente as "falas" são bem mais complexas que a singelas frase por mim pensadas..

att,

Kalhil

sábado, 5 de dezembro de 2009

Promoção de colônias

O Meliponário do Sertão está fazendo uma
super promoção de fim de ano!!!

Colônias de Jandaíra
(melipona subnitida) com 25% de desconto.


Colônia que custa R$ 200, por apenas R$ 150 + sedex

Enviaremos ainda de brinde 01(um) DVD com 2 Cursos de Meliponicultura.


Promoção imperdível e por tempo limitado (até o dia 20/12) Aproveitem!!!

Outras informações em contato conosco.

kalhil_p@yahoo.com.br
84 9150 2506

Abraço a todos,

Kalhil Pereira França Mossoró-RN
www.meliponariodosertao.blogspot.com

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Parece Apis mas não é!!!

Ando bastante gripado sem nenhuma motivação para escrever no blog nem muito menos cuidar de minhas abelhas sem ferrão, em especial as Jandaíras. Contudo, como não posso deixar de registar alguma coisa nesse espaço durante esta semana. Acabei por postar esse filme abaixo apenas para ilustrar a população de uma colônia de Jandaíra que será, assim que me recupere, desdobrada.



No vídeo acima viso ilustrar quando uma colônia matriz se encontra, em termos populacionais, adequada para ceder abelhas para uma divisão. Observem que as abelhas, mesmo após as minhas batidas na caixa no intuito de irritá-las, não chegam a me atacar, somente uma que me estranhou e me deu uma beliscada, isso se deve ao fato das abelhas já reconherem o meu cheiro com amigo.

Se outra pessoa tive feito essa mesma brincadeira com as abelhas elas teriam atacado sem pena, aí queria vê se o camarada iria ficar assim brincando como fiquei. Elas não tem ferrão mas beliscam que uma beleza.

att,
Mossoró-RN, 30 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponario do Sertão

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Colméias de luxo para abelhas sem ferrão


Na cidade de Nova Trento - SC, existe um grande artesão que faz coisas incríveis com madeira, o nome dele é Ivo Rezzini e entre os seus produtos está a confecção de colméias de luxo para Abelhas sem Ferrão. As colméias são confeccionadas no estilo chalé, com varanda e tudo, são feitas com grande capricho e dedicação desse grande artesão que também é meliponicultor nas horas vagas.


Sou grande admirador do trabalho do Ivo pois nunca vi colméias tão bonitas, fora que ele não faz só faz só isso, há diversos outros produtos que são feitos com a mesma beleza, corrimão e escadas, adegas e muito mais.

Infelizmente, devido a distância não tenho como adquirir várias caixas dessas pois o frete ficaria caríssimo, mas pretendo no futuro próximo adquirir algumas para servir de modelo para as minhas pequenas Jandaíras.

Quem quiser saber mais sobre esse e outros produtos entrem em contato com o Ivo Rezzini, através de seu blog: http://artezzini.blogspot.com, vale a pena dá uma passadinha nesse belo espaço de luxo e beleza.

att,
Mossoró-RN, 24 de novembro de 2009.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

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Anônimo disse...

Nossa!!! Que caixas belas, como faço para comprá-las, vc sabe o preço Kalhil???

Bruno Capel
Curitiba-PR


Olá Bruno, não me lembro o preço, mas é justo pois o trabalho é muito bonito e feito com muito capricho, fora que a madeira é de boa qualidade e dura uma eternidade. Entre em contato com ele atráves do seu blog que certamente ele terá todo prazer em lhe atender.

Kalhil Pereira França

Anônimo disse...

Olá Kalhil, tudo legal? Muito legal este post sobre este artesão, e realmente com caixas bonitas como essa as "patroas" não colocarão empecilho para termos abelhas próximas às nossas residências, haja vista à inegável beleza estética das mesmas rsss
Olha, finalmente vou lhe mandar um e-mail para o seu endereço que está ao lado para saber sobre se ainda está de pé o lance dos discos de cria. Até mais. Francisco Mello.


Olá Amigo Francisco, as caixas são muito bem feitas, são lindas e certamente toda mulher gostaria de ter uma dessas para enfeitar o seu Jardim. Pena o Ivo morar tão longe, se não já teria comprado várias caixas dessas, quanto aos discos eu já te respondi através do seu e-mail, mandei discos para vários lugares.

Abraço,

Kalhil Pereira França