segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Velhos conceitos x novas ideias

Como é difícil mudar antigos conceitos...
Leiam a postagem e entenderão o contexto da frase...

 (...)
Conforme prometido na semana passada, fui visitar os meus novos amigos meliponicultores. Ao chegar na residência me deparei com o Francisco Júnior e com seu irmão (que devido ao nome diferente não consigo lembrar-me, rs), dois jovens bastante empolgados com a descoberta da meliponicultura.

Na verdade, a história não começa com os dois. Explico:

Os dois são filhos do Seu Francisco Girolando, funcionário antigo da EMATER, que também é apicultor e meliponicultor. Para minha surpresa, Seu Francisco cria jandaíras há anos no local, é bem próximo a minha antiga residência, mas não pratica nenhum tipo de manejo, se limitando, como a grande maioria dos meliponicultores, apenas a coleta de mel em períodos de floração.


A recepção pelos dois foi bastante calorosa e percebi grande entusiamo. Como esperado me questionaram com inúmeras dúvidas, respondi todas no intuito de estimulá-los. Todavia, percebia Seu Francisco distante, bastante introspectivo, literalmente desconfiado de minhas respostas. Desconfiado é pouco, podemos dizer que ele estava bastante incomodado. 

Talvez estivesse ele a pensar: O que sabes este rapaz que eu, nos meus longos anos de criação, não sei???


Os criadores tradicionais praticamente não realizam nenhum tipo de manejo. Normalmente perdem muitos enxames, como as colônias não são tratadas acabam perecendo em épocas de baixa floração, pois o mel que fora produzido para a subsistência das abelhas é quase todo coletado. Assim, no decorrer da seca, as abelhas acabam morrendo de fome, pois não são alimentadas.


Fora que, devido a falta de conhecimento, esses "antigos" criadores acreditam muitas vezes que abrir a colônia para inspeção é extremamente prejudicial. Para vocês terem ideia essas colônias estavam há 3 anos sem nenhuma inspeção.

 

Naturalmente, devido a falta de manejo, a grande maioria está muito fraca e precisando de alimentação. Ainda na semana passada os garotos seguiram minhas orientações de manejo, numeraram as caixas, prepararam fichas de acompanhamento e alimentaram as abelhas. Hoje, ao abrir novamente as caixas que tinham sido alimentadas, tiveram uma enorme surpresa em perceber a evolução na postura e a construção de novos potes de mel.

 

Foi nesse momento que Seu Francisco, irritado pela abertura "fora de época das colônias", percebeu que seu antigo conceito de não manejar, ou melhor, nem abrir as colônias pudesse está errado. Nesse momento Seu Francisco se tornou mais aberto as perguntas e me mostrou outras espécies que cria, sendo duas moças-branca (Friseomelitta doederleini) e duas Jatis (plebeia sp).

 

Depois disso nossa conversar ficou mais prazerosa e flui em ar mais amistoso. Pretendo futuramente levar os dois para conhecer nossos meliponários e repassar alguns outros conhecimentos essencias ao crescimento na atividade.

Fiquei de levar uma de minhas caixas para servir de base para construção de novas, pois as deles são antigas, com uso de pregos e muito baixas, o que impossibilita o uso de alimentadores interno. Estão se virando com copos descartáveis.

Quem sabe ainda ouviremos falar das Jandaíras desses dois jovens...( e do Seu Francisco Também, rss)

Mossoró-RN, em 20 de agosto de 2012.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

   




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Revisão Periódica

Todos os dias recebo muitos e-mails com pedidos de ajudar e informações sobre as abelhas sem ferrão. Sempre que possível respondo a todos orientando a melhor maneira de agir. Entre essas maneiras uma é praticamente indispensável, realizar inspeções periódicas.

Muita gente acha que o simples fato de abrir uma colônia para realizar uma revisão pode prejudicar o enxame. Na verdade, até podemos enjuriar o enxame se o manejo não for feito por pessoa habilitada, mas no geral a revisão, pelo menos bimestral, é de suma importância para a manutenção do enxame.

Hoje recebi um e-mail do Francisco Júnior, que é estudante de agronomia da Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA), aqui em Mossoró/RN, em resumo, me questionva sobre qual a melhor época para fazer uma limpeza das caixas. Já faziam 3 anos que os seus cortiços não eram abertos e ao abrir o mesmo ficou bastante surpreso com o que viu, pois todas estavam muito fracas.

Respondi pedindo que me mandasse fotos dos enxames para minha avaliação, as quais segue abaixo para as nossas notas e observações importantes.

 (potes de mel em época de seca)

Quando as Jandaíras percebem a chegada do verão (seca), na medida que os potes vão sendo consumidos e não mais preenchidos, as abelhas, no intuito de evitar que a cera fique ressecada, passam a engrossar as paredes dos potes restantes. percebam que os únicos potes restantes e ainda fechados são os de pólen, pois praticamente não há mais reservas para essa colônia.

 (poucas jandaíras sob potes de pólen)

Nessa foto podemos perceber algumas poucas abelhas, que quase sem alimento, retardam seu metabolismo no intuito de economizar toda a energia possível. Um fato curioso na Jandaíra é a sua capacidade de suportar longos períodos de estiagem com populações muito pequenas.

(potes com mofo)

Nessa foto e seguintes percebe-se que quase toda a cera está comprometida. O morfo tomou de conta pois as abelhas não tiveram condições de acumular o material de maneira lenta e progressiva.

(falta de revisão)

Pelo estado dos potes acredito que o meliponicultor realizou uma coleta de mel em uma colônia com pouca população e em época errada. Como quase que todos os potes de mel ficaram vazios ao mesmo tempo, as abelhas não tiveram tempo suficiente para acumular a cera e evitar que ela estragasse.

 (potes seco com cera velha, a solução é reciclar)

Mas se engana quem pensa que todo esse material está perdido, é possível reaproveitar toda essa cera morfada caso ela seja fervida em água limpa até se desmanchar. Eu já ensinei essa técnica de reaproveitamento de cera, que aprendi com um amigo Rivan, que é meliponicultor lá em Macaíba, cujo link segue: http://meliponariodosertao.blogspot.com.br/2011/06/faz-bastante-tempo-que-nao-posto-nada.html
 
 (ninho com envólucro)

Em um caixa ainda percebe-se a existência de um envólucro, talvez ainda haja um restante de ninho em desenvolvimento ou mesmo alguma rainha viva. Nesse caso uma dose de xarope pode ajudar, mas vai dá trabalho pela pouca população. O ideal seria um disco de cria ou mesmo a doação de campeiras a essa rainha, após a realização de uma limpeza completa na caixa.

 (caixa perdida)

Já nessa última praticamente nada sobrou, ainda podemos aproveitar a velha caixa, mas pelo atual manejo que desenvolvemos essa caixa com pregos não é, de maneira alguma, a mais recomendável para esse tipo de criação. 

Sábado tentarei visitar o colega meliponicultor e verificar de perto os outros enxames, acho que posso ajudar a recuperar algumas outras caixas e ensiná-lo a manejar as abelhas de maneira que elas merecem.

Mossoró-RN, em 15 de agosto de 2012.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Uma raridade...

Estava eu percorrendo a CE - 040 retornando de Fortaleza com destino a Mossoró e a certa altura da viagem parei na comunidade conhecida por Paripueira, zona rural do Município de Beberibe-CE.

Estacionei o carro e ainda mesmo nas margens da rodovia me encontrei com seu Chico que, atualmente, no limiar dos seus 70 anos, é agricultor e residente na localidade desde ainda muito moço.

Após tomar muita água de coco, perguntei ao mesmo se ainda tinha aquelas velhas cabaças que criava algumas Jandaíras seculares:

- Rapaz, das que eu tinha ficou só uma.

Ao fazer cara de supreso me chamou para ver. As fotos estão em péssima qualidade pois fora tiradas do meu celular, fora isso, já estava escurecendo...

Essa é uma das formas mais antigas de se criar abelhas sem ferrão pela humanidade, os primeiros a utilizar esse sistema foram os índios que criavam as abelhas em cabaças, exatamente com seu Chico vem fazendo até hoje.

Naturalmente, como a grande maioria dos pequenos agricultores que preservam a tradição da atividade, seu Chico possui pouco conhecimento de manejo, se limitando a retirar o mel em épocas de floração e capturar algumas colônias na natureza.

Não tive muito tempo para conversar com o mesmo mais em nosso rápido bate papo me informou que naquela região há inumeros meliponicultores que criam Jandaíras em curtiços racionais. Alguns com mais de 30 colônias e produzindo mel de ótima qualidade.


Certamente, pela qualidade da flora da região, não é de se surpreender. Pretendo ainda mês que vem retornar ao local para passar um dia a procura desses famosos desconhecidos....

Mossoró-RN, em 27 julho de 2012.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Novidades...

Nunca passei tanto tempo sem atualizar o blog, quero até pedir desculpas aos meus amigos leitores e meliponicultores que sempre acompanham esse espaço que no decorrer desses anos já se tornou uma referência para muita gente que gosta das abelhas sem ferrão.

A distância tem vários motivos que não vale a pena aqui elencar, o que importa mesmo são as novidades e entre essas está a concretizada parceria que os Meliponários do Sertão e Menezes estão desenvolvendo com a Associação Caatinga. Na verdade, a Associação Caatinga é uma organização não-governamental financiada com recuros internacionais e parceira da Petróbras e visa estudar e preservar o surpreendente mundo da caatinga.


Estamos trabalhando juntos para implantar um bonito meliponário que será instalado na Reserva Natural Serra das Almas, que fica situada na região de Crateús-CE. Tudo isso está dentro de um projeto maior chamado "no Clima da Caatinga", apoiado pela Petróbras.

 (Paulino e Railda Machado)
 (meliponário em apartamento)

Ainda na semana passada eu e o Paulo Menezes tivemos a honra de receber os representantes da Associação Caatinga em nossos meliponários. Trata-se da Railda Machado, Engenheira Agrônoma coordenadora do projeto e do técnico da comunidade que está sendo capacitado para cuidar, em tempo integral, das abelhas após a implantação definitiva das colônias por nós.


 (Mesmo na seca, com 5 discos de cria)
(Colônia de Jandaíra no 5º andar)

Os dois ficaram bastante curiosos para conhecer o pequeno meliponário que instalei, com muito sucesso na varanda de meu apartamento. Realmente, até quem é do ramo se surpreende com a novidade que vem dando muito certo.

Logo em seguida nos dirigimos a zona rural para conhecer os nossos meliponários. Tive o prazer de complementar algumas informações que já tinham sido repassadas pelo Paulo a todos eles sobre as nossas abelhas, em especial o cuidado que nós temos em alimentar nossas amigas nos períodos de estiagem, época que estamos passando.

 (caixas com alimentador tipo garrafinha)
 (meliponário da zona rural)
Foi uma manhã muito produtiva, temos certeza que os dois sairam daqui muito felizes pelo que viram, em especial com as lindas colônias que estamos preparando para a Associação, esperamos assim que toda a parte burocrática terminar iniciarmos a parte de instalação das colônias numa das reservas mais bem preservadas do Brasil. 
 (Ótima colônia de jandaíra)
 (Meliponário)
 (Repassando alguns conhecimentos)
 (Abelha uruçu produzindo cera)
 (enxame recém criado)

Caso queiram conhecer mais sobre a Associação Caatinga acessem esse site abaixo: http://www.acaatinga.org.br/ 

Mossoró-RN, em 05 de julho de 2012.

Kalhil Pereira França
Mossoró-RN

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Guia de Plantas Visitadas por Abelhas da Caatinga

Segue, abaixo, link do interessante livro " Guia de Plantas Visitadas por Abelhas da Caatinga".


O livro é fruto do trabalho realizado a partir de pesquisas na Fazenda Experimental da UFERSA, em Mossoró, e região. 

Esse estudo visa à conservação da flora nativa e dos seus polinizadores e foi desenvolvido com o apoio e a parceria do Projeto de Olho na Água, da Petrobras e do Cetapis (Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura de Mossoró).

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Navegar é preciso, viver não é preciso

Vez por outra, o Grande Arquiteto Do Universo envia pessoas que veem ao mundo para deixar sua marca. Pessoas que, mesmo rapidamente, fazem de sua jornada pela terra algo eterno, algo que nos mostra que a vida tem outro sentido quando nem tudo é dinheiro.

Uma dessas pessoas foi Israel Kamakawiwo'ole, mais conhecido com o "Braddah IZ", nascido em Honolulu - Havaí, a 20 de maio de 1959, tornou-se um dos maiores famosos Havaianos de toda a história. 



Sendo descedente de uma linhagem pura de havaianos nativos, passou a sua vida a lutar pela indepedência do Havaí e pelos direitos do mesmo, lugar que tanto gostava. Amante do estilo surf de ser, sua voz marcante e suave encantou (e ainda encanta) o mundo imortalizando canções como "Somewhere Over The Rainbow" (Em algum lugar além do arco íris). 

(clique no play para ouvir)

Somewhere Over the Rainbow by Israel Kamakawiwoʻole on Grooveshark

Ainda muito cedo, vítima de complicações respiratórias devido ao seu peso elevado (343kg e 1,88m de altura) faleceu em 26 de junho de 1997. Segundo as lendas havaianas, Braddah IZ encontra-se hoje a viver em cima de todo arco-íris nas praias do Havaí.

(clique para ampliar)




Nas horas vagas, além de cuidar das nossas queridas abelhas, pratico uma atividade que, além de muito prazerosa, me deixa ainda mais em sintonia com a natureza e com as idéias do eterno havaino. Velejar sempre foi pra mim algo muito especial, não só pela questão física provocada pela atividade, mas principalmente pela maravilhosa sensação de liberdade, típica dos esportes radicais.




Vez por outra coloco meus fones de ouvido para ouvir lindas canções como Over the Rainbow pelo mar sem rumo e hora pra chegar, preocupado apenas em curtir a melhor onda, a melhor manobra, o melhor por do sol, a melhor brisa do mar em companhia de golfinhos e tartarugas marinhas. Nessas horas imagino como teria sido bom conhecer o famoso havaiano tocando o seu nostálgico ukelele.






Mesmo já tendo velejado nas mais variadas praias pelo Brasil afora, entrar no mar e curtir tudo que o Kite e a prancha juntas podem nos propiciar é simplesmente mágico. Exatamente como no fílme "Como se Fosse a Primeira Vez", onde a história se repete todos os dias pela eternidade.


 (local das fotos: praia de Pernambuquinho, Grossos-RN)

Bem, hoje é sexta-feira, final de expediente na repartição e mais do que nunca amanhã começa nosso final de semana. Não sei o de vocês mais o meu será como tem sido nos últimos anos, à base de abelhas, praia e muito velejo ao som de Israel Kamakawiwo'ole.

Ahh, e quem quiser saber mais sobre esse esporte tão legal, acesso o blog do nosso amigo Patrik: www.pernambuquinho.blogspot.com.br/

Bom final de semana para todos...

Mosssoró, às 18:00h em ponto, em 04 de maio de 2012.


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Novas rainhas a caminho...


Dificilmente eu não consigo efetivar uma divisão. Como diz alguns amigos pesquisadores: "você tem a mão boa pra coisa". Não me recordo a última vez que não tive sucesso na formação de uma nova colônia de Jandaíras. Aproveitando o feriado dividi mais 10 colônias e inpecionei algumas que já tinham sido dividas no dia 14.04.2012.

Pra minha grata surpresa constatei a existência de novas rainhas em plena atividade de postura. Ainda na semana passada tinha percebido a existência de postura o que, em tese, já nos garantia a existência de uma nova governadora. Dessa maneira, chegamos, no geral, a um prazo de aproximadamente 15 dias para que os enxames formem novas rainhas. Mas nem sempre tudo acontece dentro desse prazo e as coisas se alongam mais algumas semanas. 



Há de se perceber que nesse processo de desenvolvimento as novas rainhas ainda não estão completamente formadas, ainda são magrinhas e a abdomem ainda não foi completamente alongado, ou seja, a fisiogastria final não foi ainda alcançada. As armas químicas de liderança ainda são bem frágeis e nem tudo é harmonia dentro do enxame.


 
Ainda há uma pequena quantidade de células dos discos doados a nascer, o que manterá o regular nascimento de abelhas mesmo com a baixa postura. Há uma boa quantidade campeiras em quase todas as caixas, não havendo, por enquanto, necessidade de nenhuma intervenção. O sucesso de todas essas divisões se deve principalmente pelo fato da constante alimentação artificial a essas novas caixas. Torna-se indispensável a continuidade dessa alimentação até que a colônia recém formada tenha plena independência e capacidade produtiva.




A minha meta de divisões desse ano é alta, mas devido a seca estou repensando nisso, pois com um maior número de colônias haverá uma maior necessidade de alimentação no perído de estiagem. Mesmo assim a nossa expectativa é gerar lindas novas crias e substituir várias rainhas que já demonstram sinais de velhice. 

É recomendável a substituição das rainhas pelo menos a cada 2 anos, após esse período há uma queda significativa da postura bem como na própria qualidade das crias. Vamos agora esperar para que todas as rainhas se efetivem nos seus novos cargos e reinem em paz e harmonia.


Mossoró-RN, em 02 de maio de 2012.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Palestra na USP (Ribeirão Preto)

O Instituto de Estudos Avançados da USP, Polo Ribeirão Preto, informa que será realizada no dia 27 de abril às 14h30 a palestra “Dieta e Castas: o exemplo das abelhas sociais” que ocorrerá  no Salão de eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto da USP (CIRP).
A palestra será apresentada pela Prof.ª Dra. Zilá Luz Paulino Simões (Departamento de Biologia – FFCLRP/USP) e os objetivo são uma análise causal do desenvolvimento da estrutura social das abelhas através de ferramentas de última geração em Biologia e Genética Moleculares e entender como a informação genética flui através de redes hierárquicas de expressão gênica.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site: www.iea.rp.usp.br ou pelo telefone (16) 3602 0368.
O evento também terá transmissão online, para mais informações acesse: http://iearp.blogspot.com.br/2012/04/dieta-e-castas-o-exemplo-das-abelhas.html

Atenciosamente,

--

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Novidades no Blog

 (abelhas jandaíras no alimentador coletivo)

No intuito de facilitar ainda mais a vida de quem busca informações sobre as abelhas sem ferrão, em especial sobre a Jandaíra, bem como o constante recebimento de e-mails com as mais variadas dúvidas sobre o manejo dessas abelhas tão especiais, estou criando, logo na entrada do site, uma série de tópicos com os temas mais consultados.

Os tópicos serão todos construídos no decorrer dos próximos dias com matérias de nossa autoria já publicadas no decorrer desses anos. Alguns outros tópicos serão atualizados com introdução de notas e novas fotos.

Nosso site é hoje um dos blogs mais acessados do Brasil quando o assunto é abelha sem ferrão. Pra nós é uma honra todos os dias receber a sua visita e poder contribuir com o seu aprendizado. Caso queiram sugerir reportagens ou divulgar o seu evento apícola, nosso site está à disposição dos amigos das abelhas. 

Mossoró-RN, em 18 de abril de 2012.

Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dia de inspecionar as novas divisões


A maior satisfação de quem maneja abelhas é formar novas colônias. Nesse fim de semana passei alguns momentos agradáveis no intuito de criar novas rainhas. Ainda pela manhã montei as caixas e separei o acetato. Tenho usado Pinho por ser muito leve, aceita prego com facilidade e após invernizar fica com uma coloração muito bonita. Há quem diga que a melhor madeira para abelha Jandaíra seja a Imburana. Eu pessoalmente penso que a melhor madeira para abelha sem ferrão é qualquer uma que esteja seca, sem cheiro e que seja leve. 

Após escolher as matrizes que doariam as capas de cria e campeiras, passei a realizar as divisões. Durante todos esses anos de manejo raras foram as vezes que não consegui formar uma colônia. A Jandaíra é uma abelha muito fácil de multiplicar, o segredo está em apenas acompanhar o enxame no decorrer do desenvolvimento sempre procurando sinais de problemas que possam atrapalhar o bom andamento dos trabalhos. 

(clique nas fotos para ampliar)



Essa colônia acima é uma das novas famílias que foram formadas ainda no sábado (14.04.12). Mesmo após um dia de formação já era pra está mais desenvolvida. A primeira coisa que as abelhas fazem é o túnel de entrada, por ser a primeira defesa das abelhas todo trabalho começa nesse lugar. Percebam que nessa colônia as abelhas ainda não formaram, mas isso tem uma explicação. Ainda durante processo de divisão eu forneci uma dose de 150ml de xarope. Nesses casos, quando a divisão é acompanhada de alimentação as abelhas procuram primeiramente fazer novos potes para evitar que o alimento fermente. 

 

 Já nessa outra as coisas estão ainda mais devagar. Parece que as abelhas não aceitaram muito bem a nova caixa e apenas um pequeno grupo está a trabalhar. Aqui, do mesmo modo da primeira, tem uma explicação. Acontece que a caixa está muito perto de outras e acredito que durante a divisão muitas abelhas entraram em caixas erradas. Eu poderia providenciar mais campeiras para essa caixa, mas isso não será necessário. Uma característica muito interessante da Jandaíra é o fato dessa espécie ter um comportamento muito solidário. Naturalmente essa colônia mais fraca será ajudada pelas outras com doações de campeiras no decorrer da semana.

 Em outras abelhas, principalmente na Uruçu, é muito comum a observação de pilhagem de colônias fortes em caixas filhas recém criadas. A Jandaíra desenvolve um comportamento bem diferente, principalmente quando em comunidade de colônias. É muito comum observarmos campeiras de outras colônias sendo integradas as caixas que não possuem rainha. Esse comportamento solidário já foi testado e comprovado por mim. Leiam no link abaixo:

Já nessa última colônia as coisas vão a todo vapor, já há indícios de formação do túnel, mesmo tendo sido fornecido uma grande quantidade de xarope. Nessa caixa eu doei alguns potes de Uruçu que foram rapidamente completados pelas Jandaíra com o alimento artificial. O interessante é que elas construiram novos potes do mesmo tamanho da Uuçu. Vou acompanhar esse detalhe com muita atenção para verificar se elas vão continuar construindo nesse mesmo padrão de tamanho.



Devido a falta de chuvas, praticamente não temos visto forídeos, uma vantagem para as colônias novas que são muito indefesas contra essa praga. Mesmo nos períodos de maior aparecimento, rara são as vezes que vejo a necessidade de utilizar iscas para combatê-los. 

Uma dica interessante é sempre marcar as caixas com as datas dos manejos, em todas nas novas divisões utilizei a marca F. em 15.04.12, indicando que as colônias foram formadas nessa data. Para as matrizes que doam capas de cria, marcamos com a indicação D.C., ou seja, Doação de Crias. Já nas que doam campeiras marcamos com siga D.F., Doação de Família. Essa marcação facilita o reconhecimento rápido pelo meliponicultor das colônias que já foram manejadas. Evitando assim aberturas desnecessárias.


Por fim, trago a vocês uma rápida inspeção nas nossas queridas Jatís (abelha mosquito) que foram divididas na semana passada. Eu coloquei uma pequeno alimentador com algodão, para evitar afogamentos. Percebam que já há muitas abelhas novas e a construção de potes de alimento anda em processo acelerado.  


Ainda não observei a existência de rainhas virgens a perambular pela caixa, mas isso não é problema, pois ainda é muito cedo. Logo logo ela vai dá o ar da graça...